A sala de cinema ficou em silêncio depois que as luzes se apagaram.
Não era um silêncio pesado. Era confortável. Raro.
Mateo sentou entre mim e Lia, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Em algum momento do filme, ele estendeu o braço pelo encosto atrás de nós duas, sem tocar de verdade, mas presente. Proteção sem posse. Cuidado sem cobrança.
Eu relaxei. Talvez pela primeira vez em dias.
A cabeça de Lia encostou no meu ombro. Eu puxei a manta um pouco mais para nós duas. O filme corria, mas minha mente estava longe — vagando naquele espaço onde a Ayla existia sem precisar provar nada a ninguém.
— Você está bonita hoje — Mateo murmurou baixo, sem tirar os olhos da tela.
Não era um elogio carregado. Era quase… grato.
— Obrigada — respondi, sincera. — Foi você quem me deu o vestido, lembra?
Ele assentiu, um sorriso mínimo no canto da boca.
— Eu lembro de tudo que é seu.
Aquilo ficou no ar por alguns segundos a mais do que deveria.
Quando o filme acabou, Lia se espreguiçou,