Ethan não é tão esperto.
Meredite
Eu já sabia.
Quando fechei a porta do meu escritório — vidro fumê, carpete que abafava até a respiração, o Sena riscando a janela como se me pertencesse — fiz um gesto com dois dedos e Victor entrou. Meu melhor cão de guarda. Não por ser o mais forte, mas por entender quando eu dizia “senta” e quando eu dizia “morde” sem precisar da palavra.
— Ele está mentindo — anunciei, antes que ele perguntasse qualquer coisa.
Victor não se surpreendeu; apenas inclinou a cabeça.
— O senhor Ethan?
— O único que tem transformado o jogo inteiro num teatro barato — respondi, tirando os sapatos, afundando os pés no tapete. — O discurso dele é todo sob medida. A temperatura certa de culpa, a mesma porcentagem de cansaço e resignação que um homem diz quando quer que a gente acredite que ele desistiu. É uma cartilha. E eu já escrevi essa cartilha.
Victor ficou em pé, mãos cruzadas às costas.
— Quer que eu aperte a vigilância, senhora?
— Não. — Sentei-me à mesa e girei a taça vazia. — Já apertamos