Capítulo 3

Assim que chegou em casa, a mãe de Régis tirou os sapatos com pressa e foi direto até ele.

— Régis… eu vi aquela menina… a Rafaela… — disse, séria — ela tava na praça. Sozinha. De madrugada.

Régis franziu a testa na mesma hora.

— O quê?

Sem pensar duas vezes, pegou uma blusa.

— Eu vou lá.

— Régis, espera—

Mas ele já tinha saído.

O carro parou bruscamente perto da praça.

— Rafaela! — ele começou a chamar, olhando ao redor — Rafaela!

Nada.

Silêncio.

O coração dele apertou.

Sem alternativa, voltou para o carro e seguiu até a casa dela.

Quando bateu na porta, foi a mãe de Rafaela quem atendeu.

— Ela tá aí? — perguntou direto.

— Aquela menina fugiu — respondeu a mulher, com descaso — tá ficando maluca.

Atrás dela, o padrasto apareceu, com um sorriso irônico.

— Problemática… vive inventando coisa.

Régis sentiu o sangue ferver.

— Cala a boca! — ele disparou — se você encostou um dedo nela…

Deu um passo à frente.

— Você vai se ver comigo.

O homem apenas riu, debochado.

— Olha o moleque…

— Some daqui! — gritou a mãe de Rafaela, nervosa — não se mete!

Régis respirou fundo, tentando se controlar… e saiu.

De volta à praça, ele não desistiu.

— RAFAELA!

O vento soprava leve…

Até que uma voz, fraca, respondeu:

— Régis…

Ele olhou ao redor.

— Aqui…

Ele ergueu os olhos.

Ela estava na árvore.

— Meu Deus… Rafa, desce daí!

Com cuidado, Rafaela desceu. Quando chegou perto, já estava chorando.

— Ele tentou… — disse, com a voz quebrada — e minha mãe não acreditou…

Régis sentiu um aperto no peito.

— Vem… você não vai ficar aqui.

— Eu não posso ir… sua mãe não gosta de mim…

— Eu não vou te deixar sozinha!

Sem dar mais espaço pra discussão, abriu a porta do carro.

Depois de hesitar… Rafaela entrou.

Na casa dele, tudo parecia estranho.

Régis contou tudo.

Dessa vez… sua mãe ficou em silêncio.

Abalada.

— Você pode dormir aqui hoje… — disse, mais suave — vamos ver o que fazer.

Rafaela apenas assentiu.

Depois de um banho quente… ela finalmente se deitou.

E dormiu.

Na manhã seguinte…

TOC TOC

— Rafa… 7 horas… colégio.

Ela abriu os olhos devagar.

Ainda cansada… mas sem escolha.

O dia passou arrastado.

E, ao voltar…

Rafaela ouviu.

— Isso não pode continuar… — dizia a mãe de Régis — ela não pode ficar aqui escondida… temos que avisar a mãe dela.

Cada palavra foi como um golpe.

Rafaela voltou para o quarto, em silêncio.

Régis entrou logo depois.

— Eu tenho uma prova… volto rápido, tá?

Ela apenas concordou.

Sozinha… ela desceu.

Na cozinha, encontrou Raimunda.

— Você é a Rafaela, né? — disse a mulher, com um sorriso acolhedor.

— Sou…

— Fiquei sabendo de tudo… — disse, mais baixa — você não tá errada, não.

Rafaela sentiu os olhos marejarem.

— Não volta pra aquela casa.

Raimunda pegou um dinheiro e colocou na mão dela.

— Pra te ajudar.

— Eu não posso aceitar…

— Pode sim.

Rafaela segurou o dinheiro, emocionada.

Mais tarde, de volta ao quarto, ela observava fotos da família de Régis.

Momentos felizes.

Coisas que ela nunca teve.

A porta se abriu.

Régis voltou.

— A prova foi rápida…

Ele se aproximou… começou a beijá-la.

Dessa vez, mais intenso.

As mãos dele voltaram a deslizar pelo corpo dela.

— Régis… não…

— Eu sou homem, Rafa… eu preciso…

Ela se afastou, magoada.

— Então é isso? Você só quer ficar comigo se eu fizer isso?

Silêncio.

Ela caminhou até a porta.

E então viu.

— Sua mãe… — disse, assustada — ela tá vindo com a minha mãe…

Régis se levantou rápido.

— Fica aqui… eu resolvo.

Mas Rafaela já tinha decidido.

Pegou a bolsa.

O dinheiro.

E saiu pela porta dos fundos.

Ela correu.

Sem olhar para trás.

Sem pensar.

Só fugir.

A rodoviária estava quase vazia.

O coração ainda acelerado.

Os olhos marejados.

Ela se aproximou do guichê.

— Uma passagem… — disse, com a voz baixa — pro Rio de Janeiro.

Pagou.

O ônibus sairia em 20 minutos.

Sentou-se.

Abraçando a bolsa.

Sozinha.

Com medo.

Mas decidida.

Quando chamaram o embarque…

Rafaela se levantou.

Respirou fundo.

E entrou no ônibus.

Sem saber…

Que aquela viagem mudaria tudo.

E que, no destino…

Alguém perigoso estava prestes a cruzar o caminho dela.

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