O silêncio no apartamento de Clara era diferente do silêncio da mansão.
Era mais leve. Mais vazio, sim — mas sem o peso de julgamentos, sem gritos ecoando pelas paredes. Ainda assim, para Eveline, aquele silêncio machucava. Era como um espelho do que ela sentia por dentro.
Ela estava ali há pouco mais de doze horas, e já parecia tempo demais. Clara, sempre generosa, havia deixado o quarto de hóspedes pronto, colocado uma chaleira elétrica ao lado da cama, cobertores limpos, pantufas e um bilhet