As pessoas na plateia começaram a reclamar:
— Isso é obrigação de mulher casada. Por que cobrar por isso?
— O homem trabalha fora, a mulher cuida da casa. Não é o natural?
O funcionário do tribunal sorriu e perguntou com calma:
— Contratar babá custa dinheiro?
— Custa.
— Contratar faxineira custa dinheiro?
— Custa.
— Contratar cuidador custa dinheiro?
— Custa!
Ele então concluiu:
— Se custa, é porque tem valor. Então por que, depois do casamento, o trabalho da mulher — principalmente da dona de casa — passa a ser tratado como se não valesse nada?
O lugar ficou em silêncio.
Mas dava para ouvir soluços baixos.
Ninguém sabia de onde vinham.
Talvez de cada mulher ali que já tinha se anulado em silêncio.
Ao ouvir aquele choro, eu sorri.
Eu me casei com Jorge querendo ser feliz.
Mas, no fim, só ele foi.
Patrícia, irritada com o público que já não xingava, bateu o pé e apontou para o valor que ainda restava sobre a cabeça de Jorge.
— E o resto desse dinheiro? Isso não dá pra neg