Capítulo 2

Clube Onyx.

A maior balada de Belo Monte.

Lorena, que havia bebido além da conta, foi carregada até um quarto por um homem bonito e alto que parecia saído de uma revista. Meio tonta, ela soltou uma risadinha e murmurou: "A Fernanda é muito confiável mesmo. Me arrumou um boy tão gato assim. Vem cá, deixa eu cuidar de você."

"Moça?" O homem rebateu com um tom que deixava claro que não havia gostado nem um pouco do apelido.

"A voz dele também é boa," murmurou Lorena, semiconsciente, enquanto já listava suas exigências. "Deixa eu deixar claro: é a primeira vez que contrato um acompanhante. Se não for bonito, dispensa. Se não for atencioso, dispensa. Se o serviço for ruim, não pago."

"Quanto você bebeu?" A voz grave e magnética do homem carregava uma pontada de irritação. Mas se você prestasse atenção de verdade, havia também algo que soava quase como... impotência:

"Você não tem mais autorização pra beber desse jeito!"

"Álcool é o remédio dos covardes." Lorena tomou mais um gole, colocou a mão na testa e murmurou pra si mesma: "Tenho medo de acovardar no meio do caminho. Preciso beber pra ter coragem."

"Coragem pra quê?"

"Pra trair um canalha de primeira!"

"Se é assim... por que você se casou com ele?"

"Não pergunta, não pergunta — quem pergunta demais só se arrepende!" Um lampejo de dor cruzou os olhos de Lorena por um instante.

O homem franziu levemente a testa, observando-a com atenção.

"Gato, tô te avisando agora: não importa o que aconteça, você não tem permissão de me largar."

"Você está bêbada!"

"Não fica gozando da minha cara!" Lorena se esforçou para abrir bem os olhos e enxergar o rosto dele com clareza.

O que ela viu: sobrancelhas marcantes, olhar profundo, rosto anguloso e um maxilar que não tinha o direito de ser tão definido assim. O pomo de Adão era quase indecente de bonito.

Lorena curvou os lábios num sorriso malicioso. "Bora, não vamos desperdiçar nossa noite."

"Você não está em condições de tomar qualquer decisão agora. Eu não vou me aproveitar disso," disse o homem com firmeza.

"Como assim, você não me acha atraente?" Lorena franziu o cenho, um tanto ofendida.

Um leve relaxamento atravessou o belo rosto dele. "Não é isso."

Vendo que ele não se movia, Lorena saltou na direção dele e começou a rasgar a camisa. "Sei que você gosta quando a gente toma a iniciativa."

O homem, por instinto, estendeu os braços e a amparou.

Os dois rolaram pela cama.

Lorena já havia rasgado boa parte da roupa dele, revelando um peito forte, pele dourada, músculos salientes e um abdômen que parecia esculpido.

Ela deu um tapinha casual nele. "Gente que trabalha nessa área realmente tem um dom especial. Olha, você não precisa mais fazer isso — eu te sustento. Pode ser meu assistente pessoal. Topas?"

"Se você ainda topasse isso quando estivesse sóbria, eu aceitaria," disse o homem com voz grave.

"Não precisa acordar sóbria. Eu sempre cumpro o que prometo." Lorena deu uma risadinha. "Hoje vou me entregar ao prazer sem culpa nenhuma!"

O homem continuou parado. Só se ouvia a própria respiração pesada dele.

Lorena esperou. Não veio nada. Franziu o cenho imediatamente: "Uma balada desse tamanho com um serviço assim... vou ter que tomar a iniciativa sozinha mesmo?"

Sem mais esperar, ela agarrou o pescoço dele e o beijou com tudo.

"Lorena!" ele murmurou em voz baixa.

"Você sabe meu nome?" Lorena piscou, confusa.

Mas, como estava muito tonta, perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente sobre o ombro dele.

Ela esticou a língua e lambeu a orelha do homem — e foi aí que tudo se perdeu.

"Mesmo que o mundo acabe hoje, você não vai escapar!" Ele baixou a cabeça e mordeu o pescoço dela.

"Ai! Isso doeu!" Lorena engasgou com a bebida. "Pode esperar. Vou te cobrar isso depois. Na mesma moeda."

Mal terminou de falar, bocejou comprido. "Continua você... eu vou só descansar um segundo."

E Lorena apagou na hora.

O homem fitou o rosto dorminhoco dela por um longo momento, uma emoção complexa brilhando nos seus olhos.

Ainda bem que ela dormiu.

Se não tivesse, ele talvez não tivesse conseguido se segurar.

Ele a cobriu com o cobertor, se levantou e saiu pra fumar.

---

Três e meia da manhã.

Lorena abriu os olhos e se deparou com um ambiente completamente estranho. Uma cama grande, um quarto simples — parecia mais uma sala de descanso em algum escritório.

Ela voltou à consciência imediatamente.

Se sentou de repente. O corpo inteiro doía, como se não fosse mais seu. A cabeça latejava.

A ressaca a deixava mais lenta que o normal. Ela esfregou as têmporas e as cenas da noite anterior foram voltando aos poucos.

Pelo jeito, ela tinha dormido com um funcionário da balada. Por iniciativa própria. E ainda tinha declarado que, não importasse o que acontecesse, ele não tinha permissão de deixá-la ir.

E o cara foi lá e me deixou escapar? Com meu corpo todo doendo assim.

Devem ter feito tudo — senão como eu teria dormido até agora?

Pensando assim, ela se sentiu muito melhor.

Mas ao lembrar de quão proativa havia sido... Lorena se cobriu com o cobertor até o queixo, morrendo de vergonha.

Devia ter ficado muito sozinha nesses três anos pra ter ficado tão agressiva assim.

"Acordou?"

O cobertor foi puxado de repente.

Lorena levou um susto e se deparou com um par de olhos tão fundos quanto a noite mais escura.

Um homem absurdamente bonito, com uma aura de quem manda em tudo, cabelos negros bem aparados. Aqueles olhos profundos estavam fixos nela, lábios finos ligeiramente cerrados. Uma beleza que não parecia real.

Lorena reconheceu — era ele.

Deu uma vontade enorme de se esconder, mas como já tinha feito o que fez, não havia motivo para se envergonhar agora. Ela atacou primeiro: "Por que um homem como você escolheu esse tipo de trabalho? Dá pra fazer tanta coisa melhor na vida."

O homem franziu a testa. Os olhos escuros fixos nela, com um brilho feroz.

"Já que você me conheceu, vem comigo. Você não precisa mais trabalhar aqui — eu cuido de você."

Ele estava prestes a responder quando Lorena o cortou: "Arruma suas coisas!"

Ela abriu a bolsa e tirou um cartão. "Aqui tem cinco milhões. Usa por enquanto, e se não for suficiente me fala, tá?"

O homem olhou para ela, depois para o cartão — mas não pegou.

Lorena franziu o cenho. "Tá achando pouco?"

"Tenho uma regra: não fico com mulher casada."

"Relaxa com isso. Vou me divorciar em breve." Lorena deu uma risada irônica. "Já tinha um advogado entrando com o divórcio antes mesmo de eu vir pra balada hoje."

Um brilho atravessou os olhos do homem. Ele pegou o cartão da mão dela e disse com voz grave: "Você me sustenta depois que sair dessa. Até lá, cumpro minha parte e não fico com mais ninguém."

"Isso sim é profissionalismo." Lorena assentiu, satisfeita. "Pode sair que eu me visto e já vou."

O homem a olhou. "Já separei roupas novas pra você."

"E as minhas?"

"Rasgadas."

Lorena franziu levemente o cenho. "Não esperava que você fosse tão... intenso."

"Foi **você** que rasgou!"

Lorena tentou se lembrar. Ah. De fato. Ela mesma tinha rasgado a camisa dele.

O homem continuou, com a voz ligeiramente encrespada: "Você estava com tanta pressa assim, não conseguia esperar nem um segundo!"

O rosto dela ficou vermelho.

"Tô sim, muito solitária, tá bom? Você cuida da sua saúde. Eu gosto de homem disposto."

Os olhos do homem escureceram. Ele lembrou com seriedade: "Se divorcia primeiro!"

"Claro!" concordou Lorena. "Primeiro o divórcio, depois liberdade total. Posso fazer o que quiser, sair com quem eu bem entender, e ninguém tem nada a ver com isso."

O homem retrucou com frieza: "Quero exclusividade."

Lorena deu uma risadinha. "Vai depender do seu desempenho."

Enquanto falava, pegou o celular — que havia desligado em algum momento da noite. Ela ligou, e uma enxurrada de notificações apareceu.

Marcelo havia ligado incontáveis vezes. Até a mãe tinha mandado mensagem perguntando se ela havia ido mesmo atrás de outro homem.

Lorena deu uma risadinha. Claro que fui. O que vocês achavam — que eu estava brincando?

"Preciso ir. Te procuro assim que sair dessa."

"Eu te levo."

"Hm, perspicaz." Lorena assentiu aprovando. "Educado, prestativo — um bom acompanhante."

"Sou mais velho que você," disse ele com voz grave.

"Tudo bem, você é o chefe, a família inteira é chefe." Lorena riu.

O rosto bonito do homem fechou levemente, mas ele não respondeu.

Os dois saíram juntos do Clube Onyx.

Lorena não sabia se era a ressaca ou os excessos da noite, mas suas pernas estavam bambas.

O homem ficou do seu lado enquanto passavam pela saída. O segurança da porta viu o homem — e seu rosto mudou completamente. Estava prestes a gritar alguma coisa quando o homem lançou um olhar direto para ele.

O segurança se calou na hora.

Lorena achou estranho. Eles são bem respeitosos com os acompanhantes aqui. Interessante.

Não pôde deixar de comentar: "Não esperava que o pessoal daqui tivesse tanto respeito assim pelos funcionários. Aliás, qual é o seu nome?"

O homem a olhou de soslaio e respondeu com voz grave:

"Lucas Vidal."

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