Mundo ficciónIniciar sesiónMeia hora depois.
Clube Onyx. Lorena e Fernanda estacionaram o carro, desceram e foram em direção à entrada — mas o segurança as interceptou imediatamente. "Desculpem, senhoras. O Onyx não abre durante o dia." "Mas ontem estava aberto," disse Fernanda, intrigada. "Esta manhã o dono deu a ordem," explicou o segurança. "A partir de agora, o clube funciona só à noite." "Por quê?" Fernanda insistiu. "Não sei dizer. A casa trocou de dono recentemente, e foi decisão do novo proprietário." Ele sorriu, pedindo desculpas. "Por que vocês não voltam hoje à noite?" As duas não tiveram escolha — voltaram pro carro de mãos vazias. "Parece que o Onyx foi vendido." Fernanda olhou para a fachada. "Meu irmão comentou. Disse que o novo dono, tal de Henrique Foz, é muito poderoso. A primeira coisa que ele fez ao chegar aqui foi comprar o clube." Lorena não estava nem aí pra isso. Disse apenas: "Volto esta noite pra falar com o Lucas." "E agora, pra onde a gente vai?" perguntou Fernanda. "Comer. Tô morrendo de fome." Pra Lorena, naquele momento, nada era mais urgente do que uma refeição decente. --- Dentro do Clube Onyx. Num escritório amplo no andar de cima, um homem alto e bem-apessoado estava deitado languidamente no sofá. Pernas cruzadas com preguiça, dois botões da camisa branca desabotoados, revelando o peito forte e esguio. Cabelos escuros e espessos com algumas mechas sobre a testa, cílios grossos e longos cobrindo as pálpebras — uma beleza quase perturbadora em repouso. O celular tocou. Ele abriu os olhos, pegou o aparelho e atendeu. "Sr. Vidal, várias pessoas do meio empresarial da cidade já pediram pra jantar com o senhor. Recusei todos os convites. Mas as famílias Huss, Almeida, Ferreira e Nunes estão organizando um jantar conjunto daqui a três dias e fizeram um convite formal. O senhor recusa esse também?" "A família Huss?" Ele franziu ligeiramente a testa. "Marcelo Huss?" "Sim, Marcelo Huss também estará no jantar, organizado pelo pai dele." "Pode confirmar presença," disse ele com voz grave. "Sim, senhor!" Após desligar, Lucas entrou na sala ao lado. Seu olhar pousou por um instante na cama desfeita. Depois trocou a camisa amassada por uma camisa preta, abotoou com calma e saiu do escritório com passadas firmes. Aqueles traços perfeitos e a serenidade no canto da boca faziam com que qualquer pessoa que cruzasse seu caminho olhasse duas vezes. Seu assistente, Caio, se adiantou imediatamente. "Dr. Vidal, para onde vamos?" "Restaurante WS." --- Restaurante WS. Lorena e Fernanda tinham acabado de se sentar e fazer os pedidos quando a comida começou a chegar. Lucas e Caio entraram pela porta dos fundos e subiram direto para o segundo andar, se acomodando numa sala reservada com vista para o salão principal lá embaixo. Ele olhou para baixo, casual — e viu aquela figura. Um lampejo de algo atravessou seus olhos. Depois, a calma voltou. --- Lorena e Fernanda estavam prestes a comer quando uma jovem se aproximou da mesa. Esbelta, vestida de branco, muito bonita — pele clara, traços delicados, um ar frágil. Exatamente o tipo que Marcelo costumava se envolver. Mal Lorena teve tempo de pensar nisso, a garota fez uma declaração bombástica: "Senhora Lorena, estou grávida." A mão de Lorena, que segurava o garfo, enrijeceu. Ela olhou para a garota com calma. "O que a sua gravidez tem a ver comigo? Não fui eu que engravidei você." Os olhos da garota ficaram vermelhos. Ela baixou a cabeça, com a voz trêmula. "O bebê é do Marcelo." Lorena ergueu uma sobrancelha. "Então vai falar com ele." "Ele não atende minhas ligações," disse a garota, com um tom de autopiedade ensaiado. "A senhora poderia entrar em contato com ele por mim, por favor?" "Que absurdo!" Fernanda não se segurou. "Quem você pensa que é? Não entende o que estão te dizendo?" Lorena lançou um olhar calmo para Fernanda — um olhar que dizia *deixa comigo*. Fernanda ficou um tanto indignada, mas se calou. Lorena deu uma garfada tranquila, olhou para a garota de cima a baixo e disse: "Já que você se deu ao trabalho de vir até mim, vou te dar uma ideia de como garantir seu lugar através desse filho. Quer ouvir?" "Pode falar, senhora," disse a garota, com uma impaciência mal disfarçada. Lorena falou com a mesma calma de sempre: "O Marcelo é um mulherengo inveterado. Você sabe que ele já tem uma nova por aí. Você está em desvantagem — ele vai te deixar pra trás em breve. Por que você não age primeiro? Pega ele no flagra, faz uma cena, elimina a concorrência e garante que só existe você e esse filho. Aí eu saio de cena, ele se casa com você e você vira a Sra. Huss que sempre quis ser. O que acha?" A garota olhou para ela boquiaberta, os olhos arregalados de choque — como se estivesse encarando um ser de outro mundo. Lorena continuou, sem alterar o tom: "Se você não segurar as rédeas, ele vai continuar do jeito que é. Daqui a pouco, outras mulheres vão aparecer na sua porta com a mesma barriga que você tem agora. Que vantagem você vai ter pra mantê-lo?" "Você... você está me incentivando a fazer alguma coisa ilegal?" A garota finalmente encontrou a voz. "Como você tem coragem?" "Não." Lorena sacudiu a cabeça com sinceridade. "Não sugeri nada ilegal. Só vi que você quer o lugar de Sra. Huss e te expliquei como segurar esse emprego pra sempre." "Então por que você mesma não faz isso?" "Porque me dá nojo," disse Lorena com total seriedade. "Esse homem não vale o meu tempo nem a minha energia. Me dá ânsia só de pensar." "Então por que quer que eu faça?" a garota retrucou. "Porque você tem segundas intenções." A expressão de Lorena era direta, a voz neutra. "Você veio até mim com uma barriga que não é minha. Essa é a única ajuda que posso te oferecer." "Você não está me ajudando em nada — quer que eu me comprometa!" A garota apontou o dedo. "Você é cruel. Tá me mandando brigar com ele pra se beneficiar." Diante da acusação, Lorena apenas se recostou na cadeira, completamente tranquila. "Então chama a polícia. Diz que está grávida do meu marido e que eu te incitei a mentir pra ele. Vai lá." A garota ficou paralisada. Lorena sorriu levemente. "Pode ir." A garota a encarou por um longo momento. Depois disse apenas: "Você é louca!" E saiu furiosa. --- Fernanda olhou para Lorena com uma mistura de pena e admiração. "Você podia só ter dado um tapa nela. Teria sido mais satisfatório do que qualquer discurso." "Que nada. Dar tapa em gente não compensa — dói mais na minha mão do que nela." Lorena sempre achou que agir no impulso era um luxo que custava caro. Uma bobagem de vez em quando tudo bem, mas viver no automático era receita pra se prejudicar. Alguém grávida do Marcelo. Ele vai ficar ocupado por um bom tempo. E o divórcio fica mais limpo assim — menos obstáculos. Afinal, a mãe do Marcelo há anos pedia por um neto. Agora ia ter sua chance. "Dá uma raiva ser tratada assim," murmurou Fernanda. "Eu não me sinto humilhada. Em breve vou ser livre. Que alívio!" Fernanda piscou — e então entendeu. Deu uma gargalhada. Lorena estava de ótimo humor e pediu mais uma porção. --- O problema é que alguém no restaurante havia filmado tudo. O vídeo foi parar na internet e viralizou em minutos. O celular de Lorena não parava de vibrar. Ela colocou no silencioso sem nem olhar. Ao sair do restaurante, ela viu os comentários. Eram centenas — todos xingando Marcelo, chamando-o de lixo, escória, dizendo que ele havia desperdiçado uma mulher boa em troca de nada. Muita gente indignada, defendendo ela com uma energia que ela mesma não sentia. No carro, Lorena sussurrou para Fernanda, com um leve senso de culpa: "O que eu faço? Tanta gente me defendendo, e eu aqui tendo ficado com um homem bonito ontem. De repente me sinto ingrata." Fernanda a olhou sem palavras. "Para. Você não deve nada a ninguém. Você já foi lá e ficou com um gato — agora é hora de ir além. Sem culpa. Ele te traiu incontáveis vezes. Se você não der o troco, você não é você mesma." Lorena concluiu, mais uma vez, por que Fernanda era sua melhor amiga: ela era exatamente tão sem filtro quanto ela precisava. As duas estavam prestes a ir embora quando um Land Rover preto fechou o caminho delas.






