Giovanni Sorrentino
A mesa de apostas parecia o palco perfeito. O veludo verde brilhava sob a iluminação dourada, fichas empilhadas em torres altas, cartas deslizando como lâminas afiadas entre os dedos dos crupiês. Um perfume de poder e vício impregnava o ar.
Antoine Mercier aproximou-se com o andar calculado de um homem que acredita ser intocável. Cumprimentou o crupiê com um sorriso ensaiado, cumprimentou algumas máscaras conhecidas e então pousou os olhos sobre mim.
Eu já estava sentado à mesa, uma taça de champanhe intocada ao lado, as mãos relaxadas, mas o corpo inteiro preparado para a tensão que viria.
O olhar dele fixou-se no meu por um segundo a mais do que deveria. Senti. Ele suspeitava. Talvez uma fagulha de memória, ou somente o instinto.
— Posso me juntar? — Antoine perguntou, o sotaque francês escorrendo com veneno disfarçado de charme.
Inclinei a cabeça, fingindo indiferença.
— Quanto mais jogadores, melhor. — Deixei escapar com um tom calculado.
Ele sorriu, puxou a ca