Bruno entrou no carro.
Juliana, sentada no banco do passageiro, virou o rosto e disse suavemente:
— Meia hora depois começa a nossa reunião mensal, o senhor quer dar uma olhada no material antes?
Bruno folheou algumas páginas, mas estava inquieto, como se algo fosse acontecer. Ele largou os documentos e disse a Juliana:
— Cancele a reunião, remarque para amanhã.
Juliana ficou surpresa.
Mais tarde, Bruno dirigiu sozinho até o apartamento de Helena.
Nesses dias, sempre que a saudade o consumia, ele ia até lá, limpava o lugar, preparava uma refeição, fingia que Helena ainda estava ali, que ainda eram marido e mulher, que a qualquer momento ela abriria a porta dizendo:
— Bruno, voltei.
Mas agora, até ouvir uma única palavra dela tinha se tornado um luxo.
Como de costume, ele arrumou todo o apartamento, trocou o vaso por um buquê de copos-de-leite brancos, trouxe ingredientes frescos. Só quando estava ocupado Bruno conseguia sentir alguma calma.
Logo, o som da faca picando legumes ecoava da