Capítulo 45— O Livro das Marés
O mar amanhecia cinza.
As gaivotas riscaram o céu como pequenas preces que ninguém entendeu.
Rafael observava da janela o mesmo porto de sempre, mas algo no ar dizia que o dia não era igual.
A névoa vinha do leste, lenta, quase pensativa — e, no fundo dela, havia um som leve, como páginas sendo viradas.
Acordara antes do sol, sem saber por quê.
Não tinha mais o hábito de levantar tão cedo, nem o corpo pedia isso.
Mas algo — talvez o vento, talvez o so