Ela caminhava em sua direção com passos contidos, quase cuidadosos, como se cada movimento tivesse sido pensado — ou contido — mais do que deveria. A porta fechada atrás dela parecia ter mudado o ar do quarto.
Pedro permaneceu deitado por um segundo a mais do que o necessário. Então se apoiou nos cotovelos, num gesto automático, revelando o abdômen tenso sob a luz suave do abajur.
Letícia sorriu.
Um sorriso breve, involuntário, traído pela visão.
— Tá tudo bem? — perguntou ele, confuso.