Ela caminhava em sua direção com passos contidos, quase cuidadosos, como se cada movimento tivesse sido pensado — ou contido — mais do que deveria. A porta fechada atrás dela parecia ter mudado o ar do quarto.
Pedro permaneceu deitado por um segundo a mais do que o necessário. Então se apoiou nos cotovelos, num gesto automático, revelando o abdômen tenso sob a luz suave do abajur.
Letícia sorriu.
Um sorriso breve, involuntário, traído pela visão.
— Tá tudo bem? — perguntou ele, confuso.
Letícia não respondeu de imediato.
Sentou-se ao lado esquerdo dele com calma, como quem já tinha tomado uma decisão silenciosa.
— Tá, sim — disse por fim. — Eu só… pensei numa boa forma de te recompensar.
A mão esquerda pousou sobre o peito direito dele com leveza. O toque era suave, quase inocente — mas o gesto seguinte o fez perder o fôlego. Ao se inclinar, ela o forçou a recostar de novo no colchão, sem pressa, sem violência. Apenas intenção.
Pedro soltou o ar devagar, o corpo inte