— Jeans? — Pedro olhou para a peça de roupa que eu segurava como se fosse um artefato alienígena. — Você quer que eu use jeans, Isabella? Numa sexta-feira à noite?
Eu ri, terminando de prender o meu cabelo num rabo de cavalo despojado. Estávamos no closet dele, que era maior que o meu antigo apartamento inteiro. Fileiras de ternos italianos, camisas de seda e sapatos polidos nos encaravam.
— Sim, Pedro. Jeans. Camiseta preta. Tênis. — Virei-me para ele, cruzando os braços. — Nós vamos ao cinema, não a uma fusão de empresas. Pessoas normais usam jeans.
Ele suspirou, mas vi o brilho de diversão nos olhos dele.
— "Pessoas normais". Você está determinada a me transformar num civil comum, não é?
— Estou determinada a ter um encontro onde ninguém nos peça um autógrafo ou uma entrevista sobre o mercado de ações. — Caminhei até ele e pousei as mãos no peito dele, ainda coberto pelo roupão de banho. — Por favor? Pela sua namorada?
A palavra "namorada" ainda soava nova, elétrica. Pedro sorriu,