O "clique" do meu celular ao desligar a chamada com Aris Thorne foi o som mais alto que já ouvi. Ecoou na villa silenciosa nas Caimão, um som de finalidade. O último prego no caixão de Lúcia Vasconcelos.
Eu me virei para Pedro. O seu rosto, que momentos antes estava tenso com a raiva da chamada de Lúcia, agora tinha uma expressão que eu não conseguia decifrar. Um misto de orgulho, espanto e algo mais... um cansaço profundo.
A adrenalina da batalha, a corrida para o banco, a estratégia da "terra queimada"... tudo isso começou a desaparecer, deixando para trás dois soberanos exaustos no meio de um campo de batalha fumegante.
— Acabou — ele disse, a voz rouca, não como uma celebração, mas como uma constatação incrédula. — Sim — respondi, sentindo o peso dos últimos meses desabar sobre mim. — Acabou.
Ele não se moveu. Apenas ficou ali, a olhar para mim, como se me visse pela primeira vez sem o filtro da guerra. Os fantasmas tinham partido. O seu pai, Lúcia, o meu próprio passado... tu