PEDRO
O silêncio na sala de reuniões do 12º andar era gelado, cirúrgico.
Na cabeceira da mesa de mármore — o mesmo mármore onde fechei negócios de bilhões —, eu e Isabella estávamos sentados lado a lado. Diante de nós, o Dr. Mendes, o novo chefe do departamento jurídico, ajustava os óculos com um nervosismo visível. Ao lado dele, dois advogados juniores pareciam tentar fundir-se com as cadeiras de couro para desaparecerem.
O tema era o contrato pré-nupcial.
— Sr. Montenegro, Sra. Clark... — Mendes pigarreou, abrindo uma pasta preta. — O Conselho Consultivo solicitou esta reunião com urgência máxima. Dada a magnitude do patrimônio envolvido, e especialmente após a... inusitada transferência da patente do Sistema Isabella para uma pessoa física ontem à noite, os acionistas exigem cautela.
Não respondi. Apenas girei a minha caneta Montblanc entre os dedos, encarando-o. O silêncio era a minha arma favorita nessas horas.
Isabella, por outro lado, nem piscou. Ela folheava a minuta do