ISABELLA
O trajeto do Hangar até à nossa cobertura foi feito em silêncio. Mas não era um silêncio vazio. Era um silêncio elétrico.
A minha mão direita estava fechada sobre a placa de cristal que Pedro me deu. A "chave" do meu exército. A prova de que aquele homem não apenas me amava, ele me venerava. Ele tinha reescrito a história de um fracasso (Ícaro) para me dar asas.
O elevador privativo abriu-se direto na sala de estar escura.
Assim que as portas de metal se fecharam nas nossas costas, isolando-nos do mundo, a represa rompeu.
Eu não esperei que ele acendesse as luzes. Larguei a chave de cristal sobre o aparador de entrada, joguei a minha bolsa no chão e virei-me para ele.
Pedro estava a tirar o blazer, os olhos escuros fixos em mim, brilhando na penumbra com aquela fome predatória que eu conhecia bem.
— Você é louco — sussurrei, caminhando até ele, agarrando as lapelas da camisa dele. — Completamente louco.
— Louco por você — ele respondeu, a voz rouca.
Puxei-o para mim,