PEDRO
Faltavam quarenta e oito horas.
A Fazenda Boa Vista tinha deixado de ser o meu refúgio e transformado-se numa zona de guerra logística comandada pela Marechal Helena. Do lado de fora da janela do meu escritório, eu via caminhões de orquídeas a chegar, uma equipe de engenheiros a montar a estrutura de luz na Figueira e seguranças a verificar o perímetro como se esperassem um ataque aéreo.
Mas o meu campo de batalha era outro.
Estava sentado à minha mesa de madeira maciça, com uma folha de papel em branco à frente e uma caneta na mão. O chão ao meu redor estava coberto de bolinhas de papel amassado, cadáveres das minhas tentativas falhadas.
Votos de casamento.
Parecia uma tarefa simples para um homem que discursava para acionistas em três idiomas. Eu negociava fusões de bilhões sem gaguejar. Eu demitia diretores incompetentes sem piscar.
Mas escrever para ela?
Tudo o que eu escrevia parecia pequeno. "Eu prometo te amar..." — Banal. "Você é a minha vida..." — Clichê de músi