ISABELLA
A chuva de Londres batia contra a janela panorâmica da suíte como se quisesse entrar para se aquecer. Mas o calor estava todo do lado de dentro.
Estávamos sentados no chão, encostados ao sofá, de frente para a lareira elétrica. A mesa de escritório — palco da nossa "emergência" — já tinha sido minimamente arrumada (embora eu desconfiasse que uma das pernas estava bamba), e nós estávamos envoltos nos roupões felpudos do hotel.
Entre nós, um carrinho de serviço de quarto que parecia ter sido saqueado: pratos vazios de fish and chips, uma garrafa de vinho pela metade e uma taça de sorvete que estávamos dividindo com a mesma colher.
Pedro passou o braço pelos meus ombros, puxando-me para o peito dele.
— Você está muito pensativa para quem acabou de comer batata frita e... — ele olhou para mim com aquele sorriso de lado — ...fazer exercícios aeróbicos intensos.
— Estou a pensar no vestido — admiti, roubando a colher da mão dele para pegar o resto da calda de chocolate.
Pedr