ISABELLA
Um mês depois...
Um mês pode passar num piscar de olhos quando se está feliz, ou pode arrastar-se como uma sentença de prisão perpétua quando cada respiração dói.
O meu último mês foi uma mistura de analgésicos fortes, suor frio e a teimosia inabalável de Pedro.
As pessoas lá fora — os acionistas, os jornais, os abutres — achavam que o silêncio da Montenegro Corp era sinal de fraqueza. Eles não sabiam o que acontecia dentro daquela cobertura.
Eles não viram Pedro acordar de duas em duas horas para me dar os remédios. Eles não viram as sessões de fisioterapia onde eu chorava de dor ao tentar levantar o braço, e ele segurava a minha mão, dizendo que eu era uma guerreira. Eles não viram a primeira vez que consegui caminhar até à varanda sozinha, apoiada nele, vendo o sol nascer sobre a cidade que tentou me matar.
Eu estava recuperada? Não. As minhas costelas ainda protestavam se eu me virasse rápido demais. O meu braço esquerdo, agora livre do gesso, ainda estava fraco e r