PEDRO
— Eu não vou.
Isabella estava sentada na beirada da cama, a encarar o vestido de linho branco que eu tinha separado como se fosse um instrumento de tortura.
— Isabella...
— Olha para mim, Pedro! — A voz dela saiu um pouco mais forte hoje, um rouco irritado. — Eu tenho uma faixa ridícula na cabeça. O meu braço é um bloco de gesso. Eu ando curvada como uma velha de noventa anos por causa das costelas. Eu não sou "apresentável".
Cruzei os braços, encostado ao batente da porta do closet. Eu já estava pronto. Calça jeans, camiseta branca, óculos de sol no bolso.
— Quem disse que eu quero que você seja apresentável para alguém? — perguntei.
— Você quer me levar para passear. Passear implica pessoas. Pessoas implicam olhares de pena. E eu recuso-me a ser a coitadinha na cadeira de rodas.
Caminhei até ela. Parei entre as pernas dela e apoiei as mãos no colchão, encurralando-a.
— Primeiro: nós vamos de helicóptero. Ninguém vai ver você, exceto o piloto, e ele é pago para ser ceg