PEDRO
— Eu vou caçar... — a frase morreu na minha garganta antes de terminar.
Olhei para a porta da UTI. Olhei para o corredor vazio onde Marcus me esperava como uma sombra fiel. E depois olhei para trás, para a cama onde Isabella jazia imóvel.
Se eu saísse... e se ela acordasse? E se ela tivesse medo? E se... se o coração dela decidisse parar de novo e eu não estivesse aqui para segurar a mão dela e ordená-la a ficar?
O medo dessa possibilidade foi maior do que o meu ódio. Maior do que a minha sede de sangue. O Pedro que destruía inimigos queria sair e queimar a cidade. Mas o Pedro que amava Isabella não conseguia soltar a mão dela.
Soltei a maçaneta como se ela queimasse.
— Não — sussurrei para o vidro frio. — Ainda não.
Voltei para a cadeira ao lado da cama. Sentei-me pesadamente, como se a gravidade naquele quarto fosse dez vezes maior do que no resto do planeta. Marcus apareceu na porta de vidro, hesitante. Fiz um sinal brusco com a mão. Vai embora. Ele entendeu. Montou gu