PEDRO
O sol nasceu.
Foi a primeira coisa que me ofendeu. Como o sol ousava nascer? Como o mundo ousava continuar a girar, a iluminar a janela do quarto, a trazer o barulho da cidade lá fora, quando o meu mundo estava parado naquela cama, ligado a máquinas para respirar?
Eu não tinha me mexido. O meu corpo estava rígido, protestando contra a posição na cadeira dura, mas a dor física era irrelevante. Era apenas um ruído de fundo comparado ao grito constante na minha cabeça.
Helena acordou. Vi