PEDRO
O sol nasceu.
Foi a primeira coisa que me ofendeu. Como o sol ousava nascer? Como o mundo ousava continuar a girar, a iluminar a janela do quarto, a trazer o barulho da cidade lá fora, quando o meu mundo estava parado naquela cama, ligado a máquinas para respirar?
Eu não tinha me mexido. O meu corpo estava rígido, protestando contra a posição na cadeira dura, mas a dor física era irrelevante. Era apenas um ruído de fundo comparado ao grito constante na minha cabeça.
Helena acordou. Vi-a mexer-se sob a manta no canto do quarto. Ela piscou, desorientada por um segundo, até que os olhos dela pousaram em Isabella. E a dor voltou ao rosto dela, fresca e brutal.
Depois, ela olhou para mim.
Eu devia ser uma visão aterrorizante. O CEO da Montenegro Corp, com a camisa de linho italiano rasgada, o cabelo endurecido pelo sangue seco, o rosto manchado de fuligem e vermelho. O cheiro de ferro e morte emanava de mim.
Helena empurrou as rodas da cadeira, aproximando-se.
— Pedro — a voz