Dante estava parado diante de Rafael; pelo menos o corpo estava ali, porque seus pensamentos tinham se afastado. Rafael não parava de falar dos pezinhos minúsculos do recém-nascido, e Dante realmente se emocionava ao saber que o sobrinho estava bem. De verdade, aquilo o deixava feliz, queria ouvir o irmão e compartilhar aquela alegria, mas sua mente insistia em voltar para a garota de luvas longas e para o maldito Zacary Lincoln caminhando ao lado dela. Era como ver um lobo levando um cordeiro inocente. Normalmente, Dante era o lobo, mas haviam roubado sua presa — e isso só fazia com que ele a quisesse ainda mais. A voz de Rafael soava distante, como uma música suave ao fundo dos pensamentos de Dante.
— O que foi, irmão? — perguntou Rafael, elevando um pouco a voz. Aqueles poucos decibéis a mais fizeram Dante voltar a si. — Você ouviu o que eu disse?
— Sim, sim… é ótimo, fico muito feliz com isso — respondeu Dante. O rosto de Rafael se contraiu levemente, expressando uma mistura de su