Mundo ficciónIniciar sesiónDECISÃO ESTRATÉGICA
Julie entrou na sala logo após a saída de Oliver, fechando a porta atrás de si como se aquele espaço ainda fosse um território seguro para ambos. — O silêncio que pairava na atmosfera, após a leitura do testamento, trazia um peso significativo; entretanto, ela parecia imune a essa pressão, demonstrando apenas curiosidade. — E então? Como foi? Você herdou tudo? Charles soltou uma risada curta, marcada pela irritação. — Nada. E para piorar, ainda preciso me casar. Surpresa, Julie ergueu as sobrancelhas. — Sério? — Sério. Se você não fosse casada, poderíamos resolver isso facilmente, não é? Ela se aproximou, envolvendo os braços ao redor dele de forma íntima, como se essa conexão pudesse suavizar as dificuldades à sua frente. — Você sabe que estou com o Oliver só por causa do dinheiro. Quem eu amo é você. Quando você herdar tudo, eu peço o divórcio e nos casamos. Segurando-a pela cintura, Charles a olhou fixamente, sua expressão uma combinação de determinação e desespero. — Por enquanto, terei que arranjar alguém para casar. — Já tem alguém em mente? Ele esboçou um sorriso frio, como se uma ideia arrepiante estivesse por vir. — Tenho um plano melhor. Estou embarcando hoje para o Brasil, em Fernando de Noronha. — Vou encontrar uma pobretona por lá, iludí-la e trazê-la como minha esposa. Julie riu, divertindo-se com a frieza dele, mas a gravidade da situação a atingiu como um raio. — Você é cruel. — Não sou cruel, sou pragmático, é como escolher a rota mais rápida para um destino: se a herança só vem com o casamento, então vou unir o útil ao agradável. Ambos riram juntos, aproximando-se mais e se beijando sem qualquer receio, ignorando que a porta não estava completamente fechada. — A secretária, ao se aproximar, testemunhou a cena e hesitou por um instante, balançando a cabeça em desaprovação silenciosa. Lembrou-se de Oliver, mas não teve coragem de expressar algo que pudesse custar seu emprego. Decidiu agir como se nada tivesse visto e bateu na porta com firmeza. — Senhor Charles, sua viagem… O doutor Oliver está lhe chamando para discutir a reunião de hoje à tarde. Charles afastou-se de Julie de maneira descontraída, como quem não se preocupa com a tempestade que se forma ao seu redor. — Tudo bem, já estou indo até ele. E cancele todos os meus compromissos. Estarei fora por cerca de dois meses. A secretária hesitou por um momento, como se uma nuvem de surpresa tivesse coberto seu rosto ao ouvir sobre a repentina mudança nos planos. — Dois meses fora? — Sim. Estou indo buscar minha noiva. Prepare o jato particular com destino a Fernando de Noronha. Avise ao piloto e à equipe que precisam estar prontos imediatamente. E faça a reserva na Pousada Maravilha. — Sim, senhor. Ele saiu sem olhar para trás, deixando Julie sozinha na sala, como um barco que navega distante de uma costa familiar. Assim que a porta se fechou, ela cruzou os braços, observando a direção para onde a secretária havia ido. — Será que ela viu? Charles manteve o ritmo acelerado, sem desacelerar o passo. — Não. Você não percebeu que ela bateu antes de entrar? Julie, sem conseguir encontrar uma resposta, fixou o olhar nele enquanto se afastava. Charles seguiu em direção à sala de Oliver, adentrando sem pedir permissão, um hábito típico seu. — Não participarei da reunião, pois estou viajando para o Brasil. Oliver levantou os olhos dos documentos que analisava, sem pressa aparente. — Viajando para o Brasil? Até agora, nada estava agendado. — Estou indo buscar minha noiva. Ficarei cerca de dois meses lá, resolvendo o visto e toda a documentação. Quando eu voltar, voltarei casado. Oliver apoiou-se na cadeira, examinando Charles com interesse. — Não sabia que você estava noivo. — Na verdade, você não está por dentro de muita coisa. Eu só namoro essa brasileira, mas prometi que a buscaria. E é exatamente isso que vou fazer agora. Um silêncio breve, mas carregado de avaliação mútua, encheu a sala. — Então você não participará de nenhuma reunião nesse período? — Não. Você resolve tudo. Só estou avisando. Oliver assentiu, nada surpreso com a decisão de Charles. — Então, envie o jato assim que chegar. Em três dias, preciso estar na Alemanha e não usarei meu próprio avião para isso. O jato da empresa é mais prático. Charles já se virava para sair, a convicção em seu passo evidente. — Não se preocupe. Assim que eu chegar, o jato volta. Sem esperar resposta, deixou a sala com determinação, seu passo firme como o de um maestro que controla uma orquestra, convencido de que tudo estava em harmonia. Para ele, a situação parecia estar perfeitamente sob controle, como um avião em voo tranquilo, seguindo seu curso planejado.






