####CAPÍTULO 03

A ISCA PERFEITA

CHARLES

Assim que Charles chegou ao Brasil, dirigiu-se diretamente à Pousada Maravilha e escolheu a suíte presidencial.

— Essa escolha era quase um ritual para ele, refletindo seu gosto por exclusividade e conforto, como um rei que se acomodava em seu trono.

Ao entrar, fez uma análise superficial do ambiente, mas logo um detalhe capturou sua atenção: uma jovem organizando o quarto com movimentos precisos e metódicos, como uma artista que molda sua obra-prima.

— Seu cabelo, elegantemente preso em um coque impecável, e o uniforme que acentuava suas curvas naturais, a tornavam ainda mais intrigante.

Quando a jovem levantou o olhar, Charles se deparou com um par de olhos de um tom âmbar raro, que pareciam mudar de cor como folhas ao sol.

— Nesse instante, uma convicção instantânea e fria invadiu sua mente: era ela, a esposa ideal, como uma joia rara em uma vitrine.

— Agora, tudo o que precisava fazer era conquistá-la, assim como um conquistador em uma aventura romântica, que não hesitaria em investir tempo e recursos para atingir seu objetivo.

— Bom dia… — disse ele, com um português levemente arranhado, que refletia seu status de estrangeiro em um novo país, como um pássaro que tenta cantar em uma nova melodiosa.

Ela percebeu seu sotaque e, mantendo a compostura, respondeu calmamente em inglês.

— Good morning, sir.

Charles sorriu sutilmente, apreciando a eficiência da jovem enquanto sua curiosidade o levava a buscar mais informações, como um investigador em busca de pistas.

— Qual é seu nome?

— Alexandra, senhor.

— Um belo nome para uma bela jovem.

Ela abaixou o olhar, sentindo-se constrangida, e agradeceu discretamente enquanto mantinha sua postura profissional.

— Assim que ia abrir a boca para dizer algo mais, uma mulher mais velha apareceu na porta, saindo de outro quarto, e chamou com firmeza:

— Vamos, Alexia. Temos mais seis suítes no próximo andar para arrumar.

Rapidamente, Alexandra pediu licença e saiu, acompanhada de sua mãe, visivelmente envergonhada.

— Charles observou cada detalhe daquela cena, absorvendo informações e identificando oportunidades. Era perfeito.

Assim que entrou na suíte, ele pegou o telefone e ligou para Julie.

— Já encontrei a noiva ideal. Agora é só conquistá-la.

Com esse objetivo em mente, começou a observar minuciosamente a rotina de Alexandra nos dias seguintes.

— Ele prestou atenção a horários, funções e movimentos, criando pequenas oportunidades para chamá-la ao quarto sob pretextos simples, como a troca de roupas de cama ou toalhas, reafirmando sua responsabilidade.

—Ao fazer isso, notou como ela entrava na suíte com uma postura contida e profissional, sempre preparada para o próximo desafio.

— Você trabalha aqui há muito tempo? — perguntou ele em uma das conversas.

— Há dois anos, senhor.

— Aquela camareira mais velha… é sua parente?

— É minha mãe.

— Tão bonita quanto você.

Ela finalizou o serviço com agilidade, um brilho de determinação nos olhos.

— Pronto, senhor, está tudo organizado.

— Você é muito bonita, Alexandra.

Alexandra abaixou o olhar novamente, agradeceu educadamente e saiu, sem deixar espaço para mais diálogo.

— No entanto, Charles não se deixou abater, como um artista que, após um primeiro fracasso, continua a buscar a beleza em sua obra.

— No dia seguinte, ao entrar na suíte, encontrou uma rosa amarela delicadamente deixada sobre a cama, acompanhada de um pequeno bilhete escrito em português imperfeito: “Para você. Combina com seus olhos.”

Ela leu a mensagem em silêncio, visivelmente tocada, mas manteve a postura profissional e prosseguiu com seu trabalho, como um pássaro que, mesmo com o vento contrário, continua a voar.

— Dia após dia, Charles continuou a realizar pequenos gestos, como deixá-la com um sorriso ao oferecer seu café favorito, proferir palavras cuidadosas e fornecer elogios sutis sobre seu trabalho, gradualmente conquistando sua atenção, sem pressa ou exageros, como quem pacientemente cultiva um jardim, regando-o com carinho e atenção.

Quase um mês se passou. Naquela manhã, já familiarizado com sua rotina, Charles desceu ao café só para vê-la passar, esperando o momento certo como um dançarino que aguarda o sinal da música. Ao entrar na suíte, encontrou-a já lá, dedicada ao trabalho, como sempre.

Ele se aproximou dela, sentindo o nervosismo crescer, como um estudante prestes a fazer uma apresentação importante.

— Preciso te confessar uma coisa.

Ela hesitou por um instante, evitando olhar diretamente para ele, como se estivesse se esquivando de uma pergunta difícil, o coração acelerado.

— Senhor…

— Estou apaixonado por você. Seu silêncio e essa maneira de trabalhar me deixaram completamente encantado, como um artista fascinado pela beleza de uma obra-prima.

Alexandra levantou os olhos, surpresa e claramente desconcertada, enquanto a máscara de profissional começava a rachar, como vidro sob pressão.

— Senhor, eu não posso me envolver com clientes do hotel. Posso perder meu emprego, e preciso muito dele. Meu pai está doente...

Havia sinceridade, medo e responsabilidade em sua voz, revelando as dificuldades que enfrentava em sua vida pessoal, como se ela estivesse equilibrando pratos em estacas finas.

— Por favor, não diga isso. Não faça isso.

Charles deu um passo à frente, mantendo o olhar firme, como um capitão decidido em meio a uma tempestade.

— Quero falar com seus pais.

Ela franziu a testa, confusa, como alguém que acaba de receber uma notícia inesperada.

— Como assim?

— Quero falar com eles.

Ela o olhou com mais atenção e então perguntou:

— Por que o senhor me chamou de Alexia? Só minha família me chama assim.

— Ouvi sua mãe chamando.

Fez uma pausa calculada antes de continuar.

— E eu quero ser sua família.

Sem dar tempo para sua reação, ele a puxou e a beijou — um gesto breve, mas que a desestabilizou completamente.

— Estou apaixonado por você. E não é apenas diversão. Quero me casar com você. Se você permitir, vou até seus pais pedir sua mão.

— Tenho pouco tempo aqui e preciso voltar em breve... mas quero que você vá comigo. Não como namorada.

Ele segurou delicadamente o rosto dela.

— Como minha esposa.

Alexandra ficou em silêncio, visivelmente abalada e encantada, sem saber como reagir diante de algo tão grandioso e inesperado. Naquele momento, seguindo seu impulso, cumpriu exatamente o que ele desejava: deu o endereço.

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