Mundo de ficçãoIniciar sessãoA PROMESSA
ALEXANDRA Quando ele apareceu na porta da nossa casa, segurando um buquê de flores e uma caixa de chocolates finos, meu coração disparou como se estivesse em uma montanha-russa pela primeira vez. Charles, com sua elegância marcante, parecia fora de lugar em nosso ambiente simples, mas sua presença iluminava o espaço como o sol surgindo após uma tempestade, fazendo tudo parecer pequeno diante dele. —Enquanto meu pai o observava atentamente, minha mãe mantinha uma atitude reservada, como uma águia vigilante, tentando discernir as verdadeiras intenções por trás de sua aparência sofisticada. Ele se esforçou para falar em português, pronunciando as palavras com certa hesitação como um marinheiro aprendendo a navegar em águas desconhecidas, mas seu empenho era inegavelmente sincero e tocante. Meu pai, percebendo a barreira linguística, respondeu prontamente em inglês, como um tradutor que facilita a comunicação entre diferentes mundos. — Charles explicou por que estava ali: havia se apaixonado por mim e, indiferente a questões de dinheiro ou diferenças sociais, estava decidido a se casar comigo, como um viajante determinado a encontrar seu destino, não importando os obstáculos no caminho. Meu pai soltou um leve suspiro, cruzando os braços num gesto que demonstrava desconfiança, como uma porta fechada por um chaveiro cauteloso. — “Um homem como você jamais se envolveria com uma moça como minha filha,” ele afirmou, inquieto, como se estivesse tentando decifrar um enigma complicado. — Contudo, Charles, determinado e seguro de si, respondeu: “Não estou aqui pelo dinheiro. Estou aqui pelo meu coração,” como um artista que se recusa a vender sua alma por fama. — O silêncio na sala se estendeu por alguns momentos, como uma pausa antes de uma tempestade. Charles, agora mais resoluto, trouxe à tona a condição de saúde do meu pai, comparando-a a uma sombra que poderia ser afastada com melhores oportunidades de tratamento nos Estados Unidos. — Ele expressou um desejo sincero de levar minha família consigo, prometendo cuidar de todos assim que começássemos a construir nossa vida juntos; uma promessa carregada de responsabilidade, feita não por impulso, mas com a intenção genuína de assegurar nosso bem-estar. “Nós não estamos buscando caridade,” meu pai respondeu prontamente, firme em sua posição, como uma rocha inabalável. — Mas Charles não se deixou intimidar. Dando um passo à frente, insistiu: “Nem pense que é caridade, se Alexandra se tornar minha esposa, é meu dever cuidar dela… e da família dela.” — O momento seguinte foi mágico, como um conto de fadas ganhando vida. Ele se ajoelhou diante de mim, abriu uma pequena caixa e revelou um anel deslumbrante: um diamante amarelo cercado por esmeraldas, que brilhava sob a luz de maneira hipnotizante. “Alexandra… desde o primeiro momento em que te vi, me apaixonei. — Você aceita ser minha esposa… e a mãe dos meus filhos?” Um turbilhão de emoções invadiu meu coração, e voltei meu olhar para minha mãe, que tinha o semblante sério, como se visse um dilema profundo diante dela. — Em seguida, olhei para meu pai, que assentiu levemente, mostrando um sinal de aprovação, como um farol acendendo no escuro. Meu irmão quebrou o silêncio de maneira inocente, perguntando: “Você vai casar com um gringo?” — Não pude evitar um sorriso ao responder: “Sim.” Estendi a mão, e ele deslizou o anel em meu dedo, selando uma decisão que se tornaria a pedra angular da minha nova vida. A partir desse momento, tudo tomou velocidade, como se estivéssemos em uma montanha-russa, descendo rapidamente em direção a um novo destino. — Charles começou a falar sobre os arranjos para o casamento, enfatizando a urgência de termos tudo pronto em trinta dias antes da nossa viagem. Ele se comprometeu a facilitar os preparativos para que minha família pudesse me acompanhar nessa nova fase. — Naquela noite, minha mãe preparou um jantar simples, mas Charles se comportou como um verdadeiro cavalheiro, conquistando gradualmente a confiança de todos nós, como um artista que gradualmente revela seu talento ao público. Os dias passaram em um piscar de olhos, como folhas caindo em um outono acelerado. — Quando percebi, o advogado de Charles estava diante de mim com uma pilha de documentos que pareciam um labirinto de burocracia. Assinei, acreditando que se tratavam de papéis necessários para o casamento, sem imaginar que ali estavam formalidades muito além do que eu esperava. — A cerimônia aconteceu no hotel onde eu trabalhava; foi simples, porém emocionante, cercada por pessoas queridas, como um quadro pintado com as cores mais vibrantes da felicidade. Uma pequena recepção se seguiu, repleta de sorrisos e abraços, criando memórias como estrelas no céu da minha nova vida. — Antes que eu pudesse digerir tudo, já estávamos embarcando em um jato particular rumo aos Estados Unidos, como se estivéssemos decolando para um novo capítulo em nossas vidas. A chegada foi como adentrar um novo mundo, uma terra de possibilidades. —: Ele levou meus pais a um apartamento amplo e confortável, com três suítes, e, com naturalidade, anunciou que aquele seria o novo lar deles, como um anfitrião que recebe amigos em sua casa. Prometeu fazer exames para meu pai e garantir que ele recebesse o melhor tratamento possível. — Meu pai, emocionado, agradeceu efusivamente, me abraçou forte e comentou que agora meu lugar era ao lado do meu marido, como se fôssemos duas peças de um quebra-cabeça finalmente encaixadas. Assim, cheguei à mansão, a governanta me recebeu com cordialidade e me conduziu até a suíte que passaria a ser minha. — Tudo era grandioso e impecável, muito diferente da realidade que eu conhecia. Charles, no entanto, não ficou muito tempo; explicou que precisava ir à empresa, prometendo retornar para o jantar. — Concordei, ainda confusa com a rapidez com que minha vida havia mudado. Mais tarde, ele voltou e nos sentamos para jantar. A timidez me dominava, como se eu estivesse em um palco diante de uma plateia, e eu mal conseguia controlar a ansiedade diante de tudo aquilo. — Após a refeição, subimos para o quarto, e o nervosismo tomou conta de mim. Fui ao banheiro e tomei um banho demorado, em uma tentativa de me preparar para aquele momento que havia imaginado de tantas formas ao longo dos anos. — Vesti a camisola branca que minha mãe comprou, simples e delicada, e retornei, sentindo meu coração acelerar a cada passo, como se estivesse prestes a entrar em uma corrida. Mas nada ocorreu como eu havia sonhado. Não houve palavras suaves, nem gestos carinhosos; tudo parecia ausente, como uma melodia que não conseguia se desenrolar. — Ele se aproximou com pressa, como se fosse uma obrigação a ser cumprida, e faltou o cuidado que eu esperava, como se estivesse esperando por uma dança e, em vez disso, recebi apenas um cumprimento. Assim que tudo terminou, ele se virou para o lado e murmurou: “Estou cansado, vamos dormir. — Vamos dormir.” Fico imóvel, na cama com lágrimas escorrendo silenciosamente pelo meu rosto, sem entender, me perguntando para onde foi aquele homem gentil e amoroso? A única coisa que ecoava em minha mente era a ausência de um beijo. —Enquanto olhava para o teto, tentava entender onde havia falhado, como se estivesse tentando decifrar um quebra-cabeça complicado… ou se, talvez, o amor que eu pensei ter encontrado nunca realmente existiu.






