Lorena
Acordei com gosto de sangue na boca e cheiro de morte no ar. A língua cortada, os lábios rachados, os pulsos amarrados num cano enferrujado que roía minha pele como bicho faminto. O chão era puro concreto gelado, encharcado de umidade e ódio. Um porão. Mas não era de filme, não. Era da vida real. E o nome do desgraçado que me trancou ali era Jonas Duarte. Meu pai. Ou melhor… o monstro que me fez nascer e achou que podia me possuir pro resto da vida.
— Acordou, princesa? — a voz dele veio