Acordei muito antes do sol. Dormir era impossível quando a minha mente insistia em repetir, em loop, os últimos segundos do olhar do Lourenzo na reunião de sexta-feira. Havia ali qualquer coisa que não fora apagada pelo tempo ou pelo cargo de prestígio que ele ocupava.
Vesti a minha melhor "armadura" de seda e alfaiataria e rumei a Lisboa. O comboio pareceu mais lento do que o habitual, como se o universo gozasse com a minha urgência. Cheguei ao Parque das Nações com um vento frio vindo do Tejo