Início / Romance / Contrato com o Coração / Capítulo 2 — Assinaturas e Alianças
Capítulo 2 — Assinaturas e Alianças

O cartório era silencioso demais para algo que deveria simbolizar o início de uma vida.

Nada de música. Nada de convidados. Nada de sorrisos emocionados.

Apenas papéis.

Helena observava o ambiente simples enquanto ajustava discretamente o vestido creme que Lorenzo havia enviado naquela manhã. Não era um vestido de noiva. Era elegante, discreto… apropriado para um acordo.

Ela não contou para ninguém. Não havia ninguém para contar além da mãe — e ela ainda estava internada, aguardando a confirmação do pagamento para marcar a cirurgia.

O som da porta abrindo fez Helena levantar o olhar.

Lorenzo entrou como se estivesse indo para uma reunião de negócios. Terno escuro, expressão firme, postura impecável. Não havia nervosismo em seus olhos. Apenas controle.

Ele caminhou até ela.

— O hospital confirmou o depósito. A cirurgia está marcada para amanhã cedo.

O ar finalmente entrou nos pulmões dela.

— Obrigada.

Ele apenas assentiu, como se aquilo fosse parte natural do acordo.

O juiz de paz chamou os dois. Helena sentiu as pernas levemente fracas enquanto se posicionava ao lado de Lorenzo.

Era estranho estar tão perto dele. O perfume discreto, a presença firme, o calor que parecia irradiar mesmo sob a postura fria.

— Estamos aqui para oficializar a união civil entre Lorenzo Albuquerque e Helena Duarte — declarou o juiz.

Helena engoliu seco.

União.

A palavra parecia grande demais para o que estava acontecendo.

Enquanto o juiz lia os termos formais, Helena sentia o peso da decisão se acomodando em seu peito. Não era apenas um contrato. A partir daquele momento, ela estaria ligada publicamente a um dos homens mais poderosos da cidade.

E ele não acreditava no amor.

— A senhorita aceita se casar com o senhor Lorenzo Albuquerque?

A pergunta ecoou.

Helena pensou na mãe entrando na sala de cirurgia.

Pensou na conta bancária vazia.

Pensou na promessa que fez de nunca fazer loucuras.

Talvez aquilo fosse uma.

— Aceito.

A voz saiu mais firme do que ela imaginava.

— E o senhor, aceita?

— Aceito.

Sem hesitação. Sem emoção.

As assinaturas foram feitas.

Helena sentiu o momento exato em que sua antiga vida ficou para trás.

Quando Lorenzo pegou a pequena caixa de veludo e retirou a aliança, o gesto pareceu mais íntimo do que qualquer palavra dita até ali.

Ele segurou a mão dela.

Os dedos dele eram quentes. Firmes.

Deslizou a aliança lentamente em seu dedo.

O toque fez seu coração bater mais rápido.

Por um segundo, ela se perguntou se ele também sentiu algo.

Mas quando levantou o olhar, o rosto dele permanecia controlado.

Ela repetiu o gesto, colocando a aliança nele. Era estranho marcar aquele homem como “seu” diante da lei.

O juiz declarou o casamento oficializado.

Helena agora era Helena Albuquerque.

O sobrenome parecia pesado em sua mente.

Ao saírem do cartório, o inesperado aconteceu.

Flashes.

Muitos flashes.

— Senhor Lorenzo!

— O casamento é verdadeiro?

— Quem é a nova senhora Albuquerque?

Helena congelou.

O contrato previa discrição.

Mas Lorenzo reagiu rápido. Envolveu a cintura dela com firmeza e a puxou para perto do corpo.

O contato foi intenso demais.

— Sorria — ele murmurou, próximo ao ouvido dela.

Helena sentiu um arrepio percorrer sua pele.

Ela sorriu.

Os fotógrafos registraram o momento perfeito: o empresário poderoso e a nova esposa misteriosa.

Dentro do carro, o silêncio voltou a dominar.

Helena soltou o ar devagar.

— Você sabia que a imprensa estaria aqui?

— Não — ele respondeu. — Mas imaginei que poderia acontecer.

— Isso vai ser sempre assim?

Ele virou o rosto na direção dela.

— Você agora faz parte do meu mundo, Helena. Privacidade não é algo comum nele.

Ela olhou para a própria aliança.

Um símbolo que era, ao mesmo tempo, proteção e prisão.

— Ainda dá tempo de desistir? — ela perguntou, meio em tom de brincadeira, meio sério.

— Não.

A resposta foi direta.

Mas algo no olhar dele suavizou por um instante.

— Está arrependida?

Helena pensou.

Estranhamente… não.

Estava assustada. Confusa. Fora de lugar.

Mas arrependida? Ainda não.

— Não — respondeu.

O carro parou diante da mansão que agora seria sua casa.

As portas se abriram lentamente, revelando a nova realidade que a aguardava.

Helena segurou a bolsa com mais força.

Ela não estava entrando apenas em uma casa.

Estava entrando em um papel.

Esposa perfeita. Aparência impecável. Sentimentos proibidos.

E enquanto atravessava a porta ao lado de Lorenzo, percebeu algo inquietante:

Talvez o contrato tivesse regras claras.

Mas o coração não obedecia cláusulas.

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