Mundo de ficçãoIniciar sessãoOlivia Castelli
A expressão de surpresa dele era evidente. Seus olhos estavam brilhando para a menina enquanto eu fiquei ali sem entender nada.
— Você conseguiu falar mesmo?
Confusa, olhei para os dois que pareciam não acreditar no que estava acontecendo e então a senhora disse.
— Ela disse que esta bem, meu filho.
Com um sorriso, ela prosseguiu.
— Caterina conversou com essa adoravel moça.
Ainda confusa, eu apenas olhei para a menina que estava com um sorriso nos lábios e não disse mais nada.
— Como você a fez falar? Você já a conhecia?
Nesse momomento, aqueles olhos castanhos estavam direcionados inteiramente para mim, e engoli em seco conforme senti a necessidade dele por respostas e negando com a cabeça, eu respondi de forma rapida.
— Acabei de conhece-la. Desculpe...
Dei um passo para trás e logo me arrependi quando minha perna falhou e lembrei da minha ferida no joelho, e franzindo a testa, a menina logo se aproximou de mim enquanto me abraçava pela cintura murmurou.
— Papai.... O machucado... cuidar dela...
Arregalando os olhos em surpresa, ele engoliu em seco quando a menina falou novamente, e com um gesto, ele disse.
— Por favor, vamos cuidar de você e depois conversamos, pode ser?
Sua atenção estava em mim mais uma vez e sentindo um nervosismo se instalar em meu peito, eu neguei com um gesto e disse sem graça.
— Não precisa se preocupar, eu estou bem e fico muito feliz por ela estar bem.
Tentei me afastar mas a menina apertou seus braços a minha volta e então ouço a senhora falar.
— Por favor, Querida. Nós insistimos.
Assentindo, a senhora olhou para a pequena e disse.
— Convença ela, Querida.
Nesse momento, Catarina murmurou gaguejando.
— Vamos... Cuidar... tomar café depois...
Nesse momento, ela apontou o dedo para a minha cafeteria preferida e então me derreti com aqueels olhos castanhos brilhantes.
— Isso é golpe baixo, Pequena. Essa é minha cafeteria preferida.
Sorrindo, a menina pegou em minha mão e se direcionou ao homem e disse.
— Vamos...
E assentindo com um gesto, o homem estava com os olhos brilhantes direcionados para sua filha e apenas disse.
— Vou pegar meu carro e já volto aqui.
Assentindo com um gesto, a senhora disse.
— Sim, filho. Já peguei as coisas da senhorita...
Ela se virou para mim e perguntou.
— Querida, como você se chama?
Nesse momento, o homem murmurou.
— O nome dela é Olivia.
Engolindo em seco, eu estremeci quando lembrei que ele havia memorizado meu nome durante aquela confusão na empresa e como sempre, tudo que me envolve é cheio de humilhanção.
Com um sorriso, a senhora prosseguiu.
— Um belo nome.
Ela disse enquanto pronunciava devagar.
— Olivia.
Com um sorriso, eu olhei para a pequena e toquei seu nariz com a ponta do dedo enquanto observamos o homem se afastar rapidamente, e em seguida, a senhora disse.
— Já peguei a sua bolsa, Querida.
Com um sorriso sem graça, estendi a mão para ajudar a senhora com as minhas coisas, que por poucos minutos eu havia esquecido da existencia.
— Deixe que eu levo.
Ouvimos o homem falar assim que se aproximou.
Ele é tão agil.
— Filha, o carro está ali.
Ele apontou o dedo e a instruiu.
— Pegue a mão da vovó e vá indo na frente.
Ele olhou para mim e depois para a sua filha novamente com uma expressão relaxada.
— Vou ajudar a senhorita Olivia.
Assentindo, observei a menina seguir as instrunções do pai e em seguida, o homem diz ao se aproximar de mim.
— Seus dias são sempre assim?
Arregalei os olhos sabendo que ele não estava se referindo a essa situação somente e então soltei o ar e disse.
— Na verdade, são coisas parecidas com isso quase diariamente.Ele soltou uma risada que fez meu estomago revirar e naquele momento, meus olhos se fixaram aos dele.
— Eu sinto muito.
Ele disse com um tom de voz rouco e sorri sem graça.
— Tudo bem, eu fico feliz por ter conseguido diminuir os danos a ela.
Franzindo a testa, ele me envolveu em um braço e apoiou meu corpo para que eu não usasse a perna machucada e disse num tom de voz baixo.
— Você não entendeu direito o que houve aqui, não é?
Engolindo em seco, consegui sentir a urgencia dele ao perguntar aquilo para mim e franzindo a testa, eu fiquei em silencio, pois não sabia o que responder.
— A minha filha tem mutismo seletivo desde os 4 anos de idade.
Arregalei os olhos conforme aquela informação era digerida.
Qual seria o motivo daquela adorável criança ter mutismo se não for algo traumatico?
Pelo que ela passou na vida para sofrer com apenas 4 anos de idade?
Senti meu peito se apertar com o peso dos meus próprios pensamentos e sem perceber, apertei meus dedos no tecido do paleto preto do homem e me segurando mais firme, ele perguntou preocupado.
— Está sentindo muita dor, Olivia?
Engoli em seco ao ouvir seu tom de voz direcionado a mim e negando com a cabeça, eu murmurei.
— Eu só pensei no que fez a Pequena sofrer para ela...
Soltando o ar devagar, o homem disse.
— É uma longa história.
Eu recebi aquela infromação com um peso em meu peito e preferi não tocar mais naquele assunto. Diante de tantas coisas que essa menina poderia ter passado, com certeza agora ela está em segurança e feliz e é isso que importa.







