Capítulo 03

Olivia Castelli

A expressão de surpresa dele era evidente. Seus olhos estavam brilhando para a menina enquanto eu fiquei ali sem entender nada.

 — Você conseguiu falar mesmo?

Confusa, olhei para os dois que pareciam não acreditar no que estava acontecendo e então a senhora disse.

      — Ela disse que esta bem, meu filho. 

Com um sorriso, ela prosseguiu.

    — Caterina conversou com essa adoravel moça.

Ainda confusa, eu apenas olhei para a menina que estava com um sorriso nos lábios e não disse mais nada.

    — Como você a fez falar? Você já a conhecia?

Nesse momomento, aqueles olhos castanhos estavam direcionados inteiramente para mim, e engoli em seco conforme senti a necessidade dele por respostas e negando com a cabeça, eu respondi de forma rapida.

    — Acabei de conhece-la. Desculpe...

Dei um passo para trás e logo me arrependi quando minha perna falhou e lembrei da minha ferida no joelho, e franzindo a testa, a menina logo se aproximou de mim enquanto me abraçava pela cintura murmurou.

    — Papai.... O machucado... cuidar dela...

Arregalando os olhos em surpresa, ele engoliu em seco quando a menina falou novamente, e com um gesto, ele disse.

    — Por favor, vamos cuidar de você e depois conversamos, pode ser?

Sua atenção estava em mim mais uma vez e sentindo um nervosismo se instalar em meu peito, eu neguei com um gesto e disse sem graça.

    — Não precisa se preocupar, eu estou bem e fico muito feliz por ela estar bem. 

Tentei me afastar mas a menina apertou seus braços a minha volta e então ouço a senhora falar.

    — Por favor, Querida. Nós insistimos.

Assentindo, a senhora olhou para a pequena e disse.

    — Convença ela, Querida.

Nesse momento, Catarina murmurou gaguejando.

    — Vamos... Cuidar... tomar café depois...

Nesse momento, ela apontou o dedo para a minha cafeteria preferida e então me derreti com aqueels olhos castanhos brilhantes.

    — Isso é golpe baixo, Pequena. Essa é minha cafeteria preferida.

Sorrindo, a menina pegou em minha mão e se direcionou ao homem e disse.

    — Vamos...

E assentindo com um gesto, o homem estava com os olhos brilhantes direcionados para sua filha e apenas disse.

  — Vou pegar meu carro e já volto aqui.

Assentindo com um gesto, a senhora disse.

    — Sim, filho. Já peguei as coisas da senhorita...

Ela se virou para mim e perguntou.

    — Querida, como você se chama?

Nesse momento, o homem murmurou.

    — O nome dela é Olivia. 

Engolindo em seco, eu estremeci quando lembrei que ele havia memorizado meu nome durante aquela confusão na empresa e como sempre, tudo que me envolve é cheio de humilhanção.

Com um sorriso, a senhora prosseguiu.

    — Um belo nome.

Ela disse enquanto pronunciava devagar.

    — Olivia.

Com um sorriso, eu olhei para a pequena e toquei seu nariz com a ponta do dedo enquanto observamos o homem se afastar rapidamente, e em seguida, a senhora disse.

      — Já peguei a sua bolsa, Querida.

Com um sorriso sem graça, estendi a mão para ajudar a senhora com as minhas coisas, que por poucos minutos eu havia esquecido da existencia.

    — Deixe que eu levo. 

Ouvimos o homem falar assim que se aproximou.

Ele é tão agil.

    — Filha, o carro está ali.

Ele apontou o dedo e a instruiu.

    — Pegue a mão da vovó e vá indo na frente. 

Ele olhou para mim e depois para a sua filha novamente com uma expressão relaxada.

    — Vou ajudar a senhorita Olivia.

Assentindo, observei a menina seguir as instrunções do pai e em seguida, o homem diz ao se aproximar de mim.

    — Seus dias são sempre assim?

Arregalei os olhos sabendo que ele não estava se referindo a essa situação somente e então soltei o ar e disse.

         — Na verdade, são coisas parecidas com isso quase diariamente.

Ele soltou uma risada que fez meu estomago revirar e naquele momento, meus olhos se fixaram aos dele.

        — Eu sinto muito.

Ele disse com um tom de voz rouco e sorri sem graça.

        — Tudo bem, eu fico feliz por ter conseguido diminuir os danos a ela.

Franzindo a testa, ele me envolveu em um braço e apoiou meu corpo para que eu não usasse a perna machucada e disse num tom de voz baixo.

      — Você não entendeu direito o que houve aqui, não é?

Engolindo em seco, consegui sentir a urgencia dele ao perguntar aquilo para mim e franzindo a testa, eu fiquei em silencio, pois não sabia o que responder.

        —  A minha filha tem mutismo seletivo desde os 4 anos de idade. 

Arregalei os olhos conforme aquela informação era digerida. 

Qual seria o motivo daquela adorável criança ter mutismo se não for algo traumatico?

Pelo que ela passou na vida para sofrer com apenas 4 anos de idade?

Senti meu peito se apertar com o peso dos meus próprios pensamentos e sem perceber, apertei meus dedos no tecido do paleto preto do homem e me segurando mais firme, ele perguntou preocupado.

      —  Está sentindo muita dor, Olivia?

Engoli em seco ao ouvir seu tom de voz direcionado a mim e negando com a cabeça, eu murmurei.

    —  Eu só pensei no que fez a Pequena sofrer para ela...

Soltando o ar devagar, o homem disse.

      —  É uma longa história. 

Eu recebi aquela infromação com um peso em meu peito e preferi não tocar mais naquele assunto. Diante de tantas coisas que essa menina poderia ter passado, com certeza agora ela está em segurança e feliz e é isso que importa.

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