Capítulo 02

Olivia Castelli

Com as mãos tremulas, apertei no painel para chamar o elevador conforme eu sentia toda a adrenalina da discussão atravessar meu corpo. A medida que as informações eram repassadas em minha mente, tudo parecia mais óbvio.

O relacionamento secreto, a forma em que minha irmã sempre sabia das minhas ideias. o cheiro de perfume feminino nas roupas do Ricardo e como se não bastasse, ela sempre encontrava uma forma de me cutucar nos locais que mais me incomodavam, usando as minhas feridas, as mesmas que eu compartilhava somente com o meu namorado.

Sacudindo a cabeça, atravessei a porta do elevador, rumo a minha mesa e juntei minhas coisas. Eu já sabia que um dia a minha demissão chegaria, mas também não esperava que seria dessa forma.

Tão humilhante.

Mas aqui estou, levando meus cadernos de anotações por que são as unicas coisas que me restaram.

Fechando meus olhos, soltei o ar com força conforme pegava meu celular e digitava uma mensagem para minha minha melhor amiga.

" Acabou, Sissy."

Guardando o celular em meu bolso, enfiei meus cadernos dentro da bolsa e ajustei minha postura, desejando sair da empresa da minha familia com a cabeça erguida e logo que atravessei o hall de entrada, fui recepcionada por uma leve brisa de primavera e inspirando aqueles segundos de liberdade, senti meu celular vibrar e em seguida o cheiro de café com chantilly pareceu um convite para meu primeiro café superfaturado desempregada, então me direcionei pela calçada. O dia havia começado movimentado, e agora não está diferente. Parece que todos estão alvoraçados.

Os motoristas estão impacientes no transito, e sempre que o semaforo abre, é uma correria só, e justamente quando o sinal abriu, consegui ver de relance uma menina soltando a mão de uma senhora e atravessando a estrada correndo sem olhar para os lados.

 Ah não.

Meu coração acelerou e meu reflexo foi maior. Consegui ouvir alguém gritar ao fundo mas não deu tempo.

Havia um taxi se aproximando em alta velocidade, e com suas pequenas pernas, a menina não teria tempo de cruzar a faixa e chegar em segurança.

Eu soltei tudo que estava segurando e corri até a menina, seu cheiro de baunilha me deu uma sensação familiar e engolindo em seco, a envolvi em meus braços conforme me preparava para o impacto do que viria a seguir quando batemos na lateral do um taxi e caimos no chão com um baque oco. Sentindo o pequeno corpo tremulo acima de mim, a menina murmurou timida e rouca.

      —  Mo... moça, me de... desculpe...

Ela me apertou em seus pequenos braçinhos, deixando evidente o seu cheiro doce e franzindo a testa conforme sentia a dor muscular atrevassar cada parte de mim, segurei seu pequeno corpo contra o meu mas com um movimento rapido, a menina foi puxada dos meus braços e me assustando, logo me sentei na estrada e no instante em que abri meus olhos, estavamos cercadas por muitas pessoas. Naquele momento nada me importava, eu só queria saber da menina, e olhando para os lados, a encontrei agarrada a um homem que estava de costas para mim. Ambos agarrados um ao outro.

Soltando o ar devagar, senti meu peito doer e me colocando de pé, senti minha perna falhar quando a ardencia em meu joelho se intensificou. Uma senhora de cabelos grisalhos se aproximou de mim e murmurou ao me ajudar.

      — Querida, você salvou a vida da minha neta.

Engoli em seco e olhei para aquela mulher que me ajudava a me manter ereta pois meu joelho ficou inchado demais e sorrindo, eu neguei com um gesto e disse.

      — Eu não fiz nada demais.

Em meio a um suspiro, eu prossegui após admirar a menina de longe.

      — Ela é tão linda.

Eu olhei para a menina mais uma vez e de repente, ela me olhou e me deu um sorriso e se afastando do homem, ela veio até mim e meu peito pareceu vibrar em felicidade. 

Aquela pequena criança estava bem. E estava vindo diretamente até mim.

Quando ela chegou perto, eu me curvei e murmurei.

      — Pequena, você se machucou muito? Eu sinto muito se a apertei demais.

Ela negou com um gesto e gaguejou.

      — Estou...  Bem...

Nesse momento, a senhora enrijeceu ao meu lado e confrome apertava delicadamente meu braço, ela  disse assustada.

      — Caterina, meu amor, você falou mesmo?

A menina sorriu para mim mais uma vez quando de repente ouço alguém dizer ao fundo.

Foi evidente a sua surpresa.

    — Filha, você...

Nesse momento eu ajustei minha postura quando olhei em direção a voz masculina e encontrei aquele homem que havia me defendido da Caroline a minutos atrás e então paralisei.

Meu dia esta se tornando cada vez mais bizarro.

O que esse homem está fazendo aqui?

É para me lembrar de toda a humilhação de hoje?

Socorro, Deus.

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