Capítulo 01

Olivia Castelli

Sacudindo a cabeça, eu logo respondi dando alguns passos para trás.

    —  Eu... vou buscar. 

Fazendo careta, Caroline negou com a cabeça conforme mandava eu me retirar com gestos e engolindo em seco, eu logo sai apressada rumo ao corredor.

Diani não estava na sua mesa como de costume, então fui direto para o elevador e apertei rapidamente no botão que acionava a cabine, e logo que as portas metalicas se abriram bati de frente com alguém e virei o pé aos tropeços com o impacto abrupto.

Fechando meus olhos, soltei um grito abafado conforme absorvi o impacto e tudo o que eu esperava era a minha queda nos proximos segundos mas para minha surpresa, fui puxada com rapidez e força para cima e abrindo os olhos, encontrei um par de olhos castanhos atentos e calorosos que nunca vi em toda minha vida.

Engoli em seco conforme sentia o ar escapar pelos meus pulmões, aquela queda sem duvidas seria um vexame e sinceramente estou grata por ter sido alcançada a tempo até que percebi que minhas mãos estavam agarradas em seus ombros largos como se minha vida dependesse daquilo e engolindo em seco, eu me afastei dele, sentindo uma intensa vergonha me tomar e acenando com a cabeça murmurei num sussurro.

    —  Me desculpe, Senhor. 

Ao som do elevador, percebi que as portas estavam se fechando mais uma vez então me esquivei e impedi que o elevador descesse e me deixasse aqui de frente com esse estranho.

Estavamos muito perto um do outro.

Eu hein.

Soltando o ar, fechei os olhos na tentativa de acalmar meus batimentos cardiacos quando a porta do elevador se abriram e então Ricardo surgiu a minha frente e sem esboçar reação nenhuma eu apenas atravessei o elevador sem cumprimenta-lo, engolindo em seco, me direcionei para a minha mesa quando o telefone tocou.

         —  Alo.

Murmurei pegando minha agenda e o relatorio que estava em minha bolsa quando ouço meu pai falar.

         —  Olivia, o que você esta fazendo que não ajudou a sua irmã ainda?

Confusa, eu respondi.

        —  Bom dia, papai. Eu estou aqui...

Me interrompendo, ele diz.

        —  Sempre com suas gracinhas, Olivia. Trate de ajudar a sua irmã logo.

Eu fechei os olhos ao saber qual seria a frase que viria a seguir.

Era a mesma coisa todos os dias, mas me magoa sempre.

        — Você sabe bem que você deve muito a ela.

Engolindo em seco, eu apertei minhas temporas e confirmei com um gesto.

        — Tudo bem, papai.

Meu pai desligou na minha cara e em meio a um suspiro, coloquei o telefone no gancho e peguei minha agenda e relatorio, enquanto tomava o caminho da sala de Ricardo mais uma vez. Olhando em meu relogio, vejo que já são 09:30 da manhã e nem meu café eu tomei ainda.

Ajustando minha postura, inspirei fundo quando as portas do elevador se abriram mais uma vez e não encontrei Diani em sua mesa, e com a porta entre aberta eu logo entrei sem anunciar minha chegada e para meu espanto, encontrei Caroline e Ricardo aos beijos e amassos em cima da mesa. Todo o material que estava acima da mesa nesse momento estava  bagunçado e mistirado, fazendo jus ao meu próprio estado mental e emocional. Naquele momento, entendi o por que Ricardo preferia manter nosso relacionamento em sigilo por tantos anos.

Ele estava comigo e com a minha irmã ao mesmo tempo.

Aquele cheiro no ar sempre que eu entrava aqui era dela.

Justamente dela.

Senti meu peito se apertar conforme eu via o meu relacionamento secreto de anos desmoronar diante dos meus olhos. A verdade é que nem em meus sonhos eu imaginei que Ricardo iria fazer aquilo comigo. Da minha irmã eu esperava qualquer coisa, mas não de Ricardo. O mesmo homem que sabia o quão ruim era meu relacionamento familiar. 

Como ele pode me trair justamente com ela. A pessoa que mais me maltratou a vida inteira.

Sentindo meu corpo tremer, levei a mão em meu rosto para impedir que as lágrimas me denunciassem mas acabei esbarrando em alguém que me amparou e em um silencio profundo, me segurou por alguns segundos conforme eu recuperava meus movimentos e olhando-o, percebi que era aquele mesmo homem do elevador mas nesse momento, eu simplesmente desmoronei, e me encolhi conforme ouvi seu corpo rugir em uma fala poderosa.

        —  Foi para isso que fui convocado para a reunião, Borges?

Consegui ver Ricardo empurrando Caroline abruptmente conforme se dava conta do que estava acontecendo, e assim que se deu conta que estavamos ali, ele arregalou os olhos e ajeitou a gravata, mas a essa altura eu já estava sem reação alguma. Minha garganta estava seca, minhas mãos tremendo e meu peito pesado.

Aquilo foi demais para mim.

Carregar o peso do erro dos meus pais era um fardo que eu recebi logo que nasci então eu sempre fui apontada como ovelha negra da familia mas isso já era demais. 

Receber o sorriso carregado de deboche da minha irmã era humilhante demais.

E agora saber que esse sorriso tinha um motivo mais humilhante por trás, só torna a situação pior.

Enquanto os homens conversavam, minha mente parecia estar no meio de um nevoeiro. Tudo estava longe demais.

Mas comecei a voltar a realidade quando vi Caroline limpar o batom vermelho borrado das laterais dos seus lábios e estender a mão em seguida com as sobrancelhas arqueadas.

Confusa, eu estremeci conforme o mal estar me tomava e vindo em minha direção, ela murmurou rispida.

      —  O relatório, Olivia.

Engolindo o bolo em minha garganta, recuei alguns passos para trás e neguei com um gesto ainda incapaz de dizer alguma coisa e se aproximando, minha irmã disse.

      —  Deixe de drama e entregue o meu...

Se colocando a minha frente, o homem cruzou os braços acima do peito e disse.

    —  Em meio a tantos compromissos, eu fui chamado até aqui para ver um show de intimidação com funcionários.

Nesse momento, Ricardo negou com um gesto e disse.

    —  Não, Senhor Rouxx, eu posso explicar.

Ele fez um gesto de silencio para Caroline e fazendo careta ela disse.

    —  Eu não vou ficar quieta, eu quero meu relatório, Olivia.

Ela olhou para mim com uma expressão ameaçadora e disse.

      —  Me entregue agora. 

Engolindo o ultimo bolo em minha garganta, finalmente criei coragem e falei.

    —  Se você quer meus restos, pode pegar, Caroline.

Nesse momento, os três estavam me olhando, e abrindo o envelope, eu rasguei as primeiras paginas do relatório em que tanto trabalhei, ao fundo, ouvi Ricardo choramingar sobre eu estar pisando na bola e Caroline raivosa murmurou com a voz esganiçada.

    —  Sua descarada, vou demitir você.

Dando de ombros, eu coloquei os pedaços picados e coloquei dentro do envelope e murmurei conforme me aproximava da mesa de Ricardo e jogava junto dos papéis que estavam bagunçados.

    —  Fique com esse traidor também, irmãzinha. Cansei de vocês.

Parando ao lado de Caroline, que estava com seus olhos arregalados e alarmados, eu disse.

      —  Já que você gosta de restos, pode ficar com todas as minhas ideias também, pois tenho como criar melhores que essas em lugares melhores que este.

Jogando meus cabelos para trás dos ombros, comecei a sair da sala quando ouvi Caroline gritar.

    —  Você esta ferrada apartir de hoje, Olivia, pode anotar.

 Retornando alguns passos, eu disse olhando em seus olhos.

    —  Eu me demito, Caroline.

Antes de sumir das vistas deles, parei ao lado daquele homem e acenei com um gesto e sorri o mais natural que meu corpo conseguiu e murmurei um agradecimento e sai andando em disparada pelo corredor conforme sentia meu coração palpitar no peito. 

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App