Capítulo 3

Ele permanece em silêncio por alguns segundos, como se estivesse organizando pensamentos que não costuma dividir com ninguém. O som distante da casa — passos, portas, o leve tilintar de algum objeto — parece ainda mais distante quando ele finalmente fala.

— Como as coisas estão por aqui?

A pergunta me pega de surpresa. Alessandro nunca pergunta isso. Nunca perguntou.

— Estão… sob controle — respondo, após um breve instante. — Como sempre.

Ele ergue levemente a sobrancelha, esperando mais. Então falo. Tudo o que faço. Tudo o que sustenta o nome dele enquanto ele não está.

— Mantenho os compromissos sociais — digo, com calma. — Jantares beneficentes, exposições, reuniões discretas com outras esposas. Faço questão de estar sempre presente, sempre impecável. Nunca dou margem para comentários.

Faço uma pausa.

— A casa funciona como deve funcionar. Os empregados sabem exatamente o que se espera deles. O seu nome é respeitado.

Ele me observa em silêncio, atento. Não me interrompe. Quando termino, ele solta um leve suspiro, quase imperceptível.

— Você fez um bom trabalho — ele diz, por fim. — Muito bom.

O elogio me atinge de um jeito estranho. Não aquece. Não machuca. Apenas… pesa. Porque eu fiz tudo isso sozinha.

— Onde você está dormindo? — ele pergunta em seguida, direto.

— No meu quarto — respondo. — Como sempre.

Ele inclina um pouco a cabeça, pensativo. O olhar desce para a própria perna imobilizada, depois volta para mim.

— Então ordene que arrumem o quarto de casal.

Sinto o chão sumir por um segundo.

— O quê? — pergunto, antes de conseguir me conter.

— O quarto de casal — ele repete, com a mesma tranquilidade. — Quero ficar lá.

Engulo em seco.

— Alessandro… — começo, hesitante. — Talvez seja melhor você ficar sozinho. Para descansar. O médico disse que—

— Eu sei o que o médico disse — ele interrompe, mas sem dureza. Apenas firme.

Depois, seus olhos se fixam nos meus, profundos, atentos.

— E eu gostaria de dormir ao lado da minha esposa.

O silêncio que se segue é pesado.

Não há ameaça em sua voz. Nem ordem explícita. Apenas uma constatação que muda tudo.

Assinto devagar, sentindo meu coração acelerar de uma forma que eu não permito há anos.

— Vou… vou mandar arrumar o quarto — digo, finalmente.

Viro-me para sair, mas sinto o peso do olhar dele nas minhas costas.

E pela primeira vez desde que me tornei esposa de Alessandro De Santis, eu não sei o que me espera naquela cama.

Só sei que, pela primeira vez, ele estará lá.

E isso muda absolutamente tudo.

...

Eu me aproximo devagar, quase como se aquele gesto simples exigisse coragem. Minhas mãos hesitam por um segundo antes de tocar o tecido da calça dele. Alessandro está sentado na beira da cama, a perna ferida estendida, o tronco levemente inclinado para trás, observando cada movimento meu sem dizer uma palavra.

— Com cuidado — ele diz, baixo.

Assinto e me ajoelho à frente dele. Meus dedos deslizam pelo cós da calça, abrindo o botão, descendo o zíper com lentidão. O simples som do metal ecoa alto demais no quarto silencioso. Puxo o tecido para baixo com delicadeza, desviando da perna machucada, concentrada… até que me dou conta do quanto estou perto.

Faz muito tempo.

Tempo demais desde a última vez que vi o corpo do meu marido assim, sem o escudo dos ternos caros, sem a distância dos aeroportos, sem o peso da ausência. O corpo dele está diferente do que minha memória guardava — mais marcado, mais forte, como se cada músculo carregasse histórias que eu nunca vivi ao lado dele.

Quando tiro a calça por completo, minhas mãos ficam imóveis por um instante. Preciso me obrigar a respirar.

Ele percebe.

Sempre percebe.

— Aconteceu alguma coisa? — pergunta, com um tom que parece casual demais.

— Não — respondo rápido demais. — Só… terminei.

Levanto-me e minhas mãos vão automaticamente para a blusa dele. Desabotoo um botão de cada vez. O tecido se abre lentamente, revelando a pele morena, quente, marcada por pequenas cicatrizes que eu nunca tive coragem de perguntar como surgiram. Quando puxo a camisa de seus ombros, ele se inclina um pouco para ajudar — ou para me obrigar a chegar mais perto.

O perfume dele me invade. Familiar. Perigoso.

Quando termino, ele está apenas ali, olhando para mim com uma atenção que me deixa inquieta.

— Acho que vou precisar de ajuda para tomar banho — ele diz, então.

A frase é simples. O tom, não.

Há algo diferente em seu olhar. Um brilho lento, calculado. Não é pressa. É intenção.

— A perna não pode molhar demais — continua, como se estivesse falando apenas da recuperação. — E não estou exatamente… em condições de me equilibrar sozinho.

Engulo em seco.

— Posso chamar um dos empregados — digo, automaticamente.

Ele inclina levemente a cabeça, um canto da boca se erguendo em algo que não chega a ser um sorriso.

— Prefiro você.

O silêncio que se instala é denso. Quase palpável.

Há algo malicioso ali, sim — não escancarado, não vulgar. É pior. É sutil. É a certeza de que ele sabe exatamente o efeito que aquelas palavras têm em mim.

E, pela primeira vez em três anos de casamento, eu sinto que Alessandro De Santis não voltou apenas para se recuperar.

Ele voltou para ficar.

Eu o ajudo até o banheiro, cada passo lento, calculado. O vapor já começa a subir quando abro o chuveiro, enchendo o ambiente de um calor úmido que parece grudar na pele. Alessandro se apoia no mármore, observando tudo com uma calma que me deixa nervosa — como se ele estivesse no controle mesmo ferido.

Ele tira sua cueca e sinto minhas bochechas ficarem vermelhas.

— Está quente demais? — pergunto, tentando manter a voz firme.

— Está perfeito — ele responde, mas não olha para a água. Olha para mim.

Eu me aproximo para ajudá-lo a entrar, segurando seu braço com cuidado. Quando ele pisa sob o jato morno, solta um suspiro baixo, quase satisfeito. Minhas mãos ficam em seus ombros, depois descem devagar, apenas para garantir que ele não perca o equilíbrio. Apenas isso. Pelo menos era o plano.

— Você sempre foi cuidadosa assim? — ele pergunta, a voz rouca, próxima demais do meu ouvido.

— Com você… sim — respondo, antes mesmo de pensar.

Ele solta um leve riso, curto, e então sua mão sobe. Não é brusca. É lenta. Segura. Seus dedos envolvem meu pulso, guiando minha mão contra o peito dele por um segundo a mais do que o necessário.

Ele guia minha mão, fazendo passar pelo seu peitoral, seu abdômen, parando próximo a sua extensão. Engulo um seco e ele parece satisfeito com minha reação.

— Três anos — ele diz baixo. — Três anos dividindo um sobrenome… e é a primeira vez que ficamos assim.

Meu coração dispara.

— Alessandro…

Antes que eu termine, ele me puxa. Não com força, mas com decisão. Um passo e eu estou sob a água com ele, o tecido fino do meu baby doll grudando no corpo, o calor me envolvendo por completo.

Seu corpo molhado contra o meu. Sinto sua extensão dura, procurando uma forma de se satisfazer.

— Eu disse que precisava de ajuda — murmura, inclinando o rosto até ficar perigosamente perto do meu. — Não disse?

Minha respiração falha quando sinto sua mão na minha cintura, firme, possessiva, como se estivesse apenas me mantendo em pé… mas não era só isso. Seus dedos desenham um caminho lento, provocador, como se estivessem reaprendendo meu corpo.

Deslizando sua mão por minhas costas.

— Isso não é justo — sussurro, mais para mim do que para ele.

— Também não acho justo. — ele responde, a testa encostando na minha. — Você está vestida, enquanto eu estou aqui totalmente exposto a você! — Ele sussurra.

Não sei o que devo fazer. Se fico, ou se me afasto. Estou entre a cruz e a espada.

— Vamos resolver isso então! — Ele diz.

Suas mãos descem lentamente até a barra do meu baby Doll, puxando para cima. Não levanto meus braços, nervosa.

— Meu docinho, levanta esses braços pra mim! — Ele diz, passando o nariz levemente pelo meu ouvido.

Mesmo indesiva, faço o que ele pede.

Não estou usando nada por baixo e ele parece muito satisfeito com isso.

A água cai ao nosso redor, abafando o mundo. Por um instante, não existe máfia, nem ferimentos, nem distância. Só o calor, o toque, e a tensão que cresce silenciosa entre nós.

Suas mãos caminhando pelo meu pescoço, descendo até minha clavícula, e ele aperta um dos meus seios, fazendo-me soltar um suspiro de satisfação.

— Quando foi a última vez que lhe toquei assim? — Ele pergunta. Mas estou viajando no seu toque. — Eu lhe fiz uma pergunta! — Ele diz em um tom autoritário.

Mordo os lábios.

— Na nossa noite de núpcias! — Murmuro.

— Que tolo eu fui. Deixar um corpo tão perfeito desse sem prazer! — Ele diz.

Sua outra mão desliza rapidamente até o meio de minhas pernas e um gemido involuntário surge nos meus lábios, quando ele chega no meu ponto G.

— Posso recompensa-la, docinho! — Ele sussurra.

Alessandro começa a fazer movimentos lentos, obrigando-me a apoiar minhas mãos em seus ombros para não perder o equilíbrio.

— Você é minha? — Ele sabe a resposta, mas gosta de ouvir.

— Alessandro, por favor! — Peço, descendo minha mão até sua extensão, mas ele segura me impedindo.

— Eu só vou te dar o que quer, quando me dizer se é minha! — Ele diz.

Gemo alto, sentindo meu corpo inteiro entrando combustão.

— Eu sou sua. Eu sou sua, Alessandro! — Digo rapidamente.

Em um movimento rápido, ele me apoia na parede e entra em mim. Alessandro solta um grunhido enquanto eu solto um gemido de satisfação.

Ele começa suas investidas devagar, mas logo acelerar. Passo a unha por suas costas, querendo cada vez mais ele.

— Droga! — Ele reclama, quando apoia sua perna no chão.

Tento me afastar, mas ele me pressiona na parede.

— Quieta, meu doce. Ainda não acabei com você! — Ele diz.

As investidas se intensificaram, até eu sentir meu corpo inteiro arrepia e logo após um alívio. Ele investe mais umas três vezes e seus grunhidos me relevam que ele também chegou no seu ápice.

Ele beija minha testa e solta um suspiro.

E quando seus braços me envolvem de vez, eu não recuo.

Eu fico.

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