A fisioterapeuta chegou no meio da manhã. A casa, sempre tão silenciosa e obediente, parecia diferente naquele dia. Havia um peso no ar. Não era medo — era expectativa. Alessandro estava sentado na poltrona da sala principal, a perna estendida, o rosto duro como se estivesse prestes a enfrentar um inimigo, não uma profissional de saúde. Eu fiquei alguns passos atrás no início. Por hábito. Por anos aprendi a observar de longe. A fisioterapeuta se apresentou com um sorriso educado, explicou cada passo, cada movimento que faria. Alessandro apenas assentia, impaciente. Ele queria soluções rápidas. Sempre quis. Quando ela tocou na perna dele pela primeira vez, vi o maxilar dele travar. O primeiro movimento arrancou um suspiro curto, preso. O segundo, um xingamento baixo, em italiano. No terceiro, ele fechou os olhos. Nunca o tinha visto assim. Não o homem que entra em salas e todos se levantam. Não o mafioso que dita ordens. Mas um homem preso ao próprio corpo, limitado,
Ler mais