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CAP. 6 – Exato quinze anos desde quando o mundo parou de fazer sentido

POV/ Killian

17/07- Sábado

O Clube Erotique é um dos lugares onde o mundo deixa de ser uma linha reta e cinzenta. Para o meu cérebro é no excesso de estímulos o grave do som que faz o peito vibrar, o calor úmido das peles suadas, o cheiro pungente de perfume e luxúria que desperta a biologia do meu corpo e eu me lembro de que sou um homem.

Ver os homens babarem pelas mulheres no palco, observar os corpos dançando quase nus sob as luzes estroboscópicas... isso gera uma sobrecarga.

O Tálamo está lesionado, mas meus instintos primitivos não foram apagados. O tesão é uma frequência que ainda sinto e como sinto... Uma reação nervosa que ignora o meu vazio emocional e faz o sangue bombear onde deve.

A festa hoje é à fantasia. Eu odeio fantasias. Por isso, vim fantasiado de mim mesmo: terno italiano sob medida e apenas uma máscara veneziana preta, cobrindo metade do meu rosto.

Ethan está em algum lugar, provavelmente perdendo o juízo com alguma dançarina. Eu estou aqui pelos negócios, mas também pelo ambiente.

Puxo o relógio de bolso. A corrente é pesada, feita de elos de prata que lembram um terço. Mandei forjar assim para carregar o meu único amuleto: o nó de prata que recebi. O metal frio contra os meus dedos dispara um sinal que a lógica não explica. Dizem que não sinto culpa, mas quando olho para essa peça, algo se retorce. É o meu elo com o meu anjo perdido.

Meu anjo deve estar por aí.

Hoje é 17 de julho. Sábado.

Quinze anos. Exatos quinze anos desde que o mundo parou de fazer sentido para mim.

Eu ainda estou aqui, Lully. E eu ainda estou procurando por você.

Bebo o Bourbon de uma vez. Sinto o líquido rasgar a garganta e esquentar o rosto. E peço outra dose.

Estou no bar Entediado.

Ethan continua circulando passou por mim e disse. "Sorria para os acionistas". O tipo de merda que alguém que não tem o cérebro lesionado diz.

Alessandra também deve estar por aí em algum lugar. Talvez devesse procurá-la.

Alguém esbarra em mim de leve, mas o suficiente para derramar o líquido do meu copo.

Droga. 

 Mas o meu corpo reage, sinto um arrepio que sobe pela nuca e se espalha pelas costas. Os pelos do braço arrepiam por baixo do terno. Eu travo com o copo na mão, sentindo um calor estúpido que não deveria estar ali.

Olho para o lado.

Uma mulher. Chapéu pontudo de bruxa, vestido preto colado. Ela é baixa, vestido justo cintura largas, tem curvas que saltam aos olhos e um nariz marcante enorme feito de borracha eu acho. Ela se desequilibra novamente.

E eu amparo com o braço.

— Desculpa... eu não sou acostumada a andar de salto — ela sussurra.

Eu a encaro. Não foi apenas o toque. É a presença dela. Há quinze anos que meu corpo funciona no automático, sem picos de adrenalina, arrepios, ou frio na barriga.

Será que meu tálamo está se recuperando?  Mas Agora?

  Merda.

Meus olhos param no decote do vestido. Sinto a pulsação novamente. O aperto no jeans. Uma reação física tão direta que me deixa em alerta. Meu corpo sentiu algo que minha mente ainda não processou.

— Tudo bem — minha voz sai mais rouca do que eu pretendia. — Quer sentar-se?

Ela hesita, mas aceita o lugar ao meu lado. Quando ela me encara, a luz do clube pisca muitas vezes e fortes, eu sou bom de visão, audição por causa da deficiência no tato que tenho. Mesmo com as luz consigo enxergar os olhos dela. Verde. Os olhos dela são de um verde tão profundo que parece que estou olhando para uma floresta.

Fico preso nela. Ela mexe os cílios, as bochechas ficando levemente coradas sob a máscara de renda, mas não desvia o olhar. Eu, o homem que nunca perde uma disputa de encarada, sou o primeiro a desviar. A beleza dela é densa, real.

— Seus olhos são lindos — digo, sendo honesto pela primeira vez em anos.

— Você acha? — ela pergunta com uma timidez que me irrita e me atrai ao mesmo tempo.

— Eu amo verde. Sempre achei que fosse apenas uma preferência, mas agora tenho certeza. É a minha cor favorita.

 Com certeza verde e a minha cor preferida do mundo todo.

Lembro da busca obsessiva. O dinheiro gasto com investigadores que só traziam becos sem saída. A única pista real foi uma tal de "Lully" que vendia quadros na Avenida Paulista. Eu comprei algumas das obras dela. Telas cheias de dor, só porque o nome no canto era o mesmo da menina que me salvou. Eu fazia aquilo pela "Lully" de alguém, esperando que a lógica do universo trouxesse a minha de volta.

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