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CAP. 7 - Ela me fez sentir dor. Ela é perfeita.

— Quer beber alguma coisa? — Sinalizo para o barman.

Peço um Bourbon para ela. Fico fixo no movimento da boca dela enquanto ela bebe. O lábio pressionado contra o cristal, o movimento da garganta. Aquilo me excita imagino aqueles lábios no meu membro. Aquilo faz latejar tão forte, que tenho que me ajeitar novamente no banco. 

— Então você gosta de preto?

— Está falando da cor?

Aceno positivamente. Já iniciei inúmeras conversas, mas que droga foi essa? Não sei.

— Sim é uma cor prática — ela sorri. — Preto esconde as manchas, esconde a gente. É uma cor segura, combina com tudo. Além de ser a junção de todas as cores.

— Você fala como se fosse uma artista — observo.

O perfume dela me atinge em cheio. Não é o cheiro sintético das mulheres desse clube. É algo orgânico, profundo. Frutas vermelhas. Cereja madura e amora silvestre. Um cheiro que dá vontade de morder, de invadir. É doce, mas tem uma ponta ácida que corta o ar saturado do ambiente.

— Eu queria ser — ela suspira, e o brilho verde diminui. — Minha avó é a verdadeira artista. Eu até tentava, mas o sonho morreu. A vida cobra caro pelos nossos sonhos.

— Todo mundo precisa de um objetivo, bruxinha. Se você parar, o que sobra é só o vazio.

A conversa flui. Sem esforço. Estou interessado. Ela tenta se ajeitar na banqueta, mas uma mecha de cabelo cai sobre a máscara, cobrindo o verde dos olhos dela. Encosto em seu rosto e afasto os fios negros. Ela se assusta com o toque e o copo escorrega de sua mão, explodindo no chão em mil pedaços.

Ela tenta descer do banco às pressas, mas meus reflexos agem por instinto. Antes que os pés dela atinjam o chão, minhas mãos circulam a cintura farta. Eu a ergo e a sento sobre o balcão de mármore, deslizando o corpo dela até ficar de frente para mim, presa entre meus braços.

Ela está segura. Ou quase.

Eu a encaro com olhos de predador. Estamos tão perto que o calor dela queima meu terno. Meu coração martela. Tum-tum. Tum-tum. O cheiro de frutas vermelhas invade todo o meu sistema nervoso. É uma sobrecarga.

— Você está bem? — Pergunto, sem a menor intenção de soltá-la.

— Sim. Estou sim. Obrigada... — Ela me olha com os lábios entreabertos, a respiração errática batendo contra o meu rosto.

Eu não espero por um convite. Aproximo meu rosto, sentindo o campo elétrico entre nossas peles aumentar até ficar insuportável. Eu preciso saber se o gosto é tão doce quanto o cheiro.

Minha mão sobe com violência pela nuca dela, os dedos se embrenhando nos fios negros e puxando-os com força o suficiente para inclinar sua cabeça para trás. Pressiono minha boca contra a dela, mas o impacto não traz a rendição que eu esperava.

Ela trava a mandíbula. Seus lábios, macios e moldados como o desenho de um arco, permanecem selados, uma barricada de carne que me desafia. Tento forçar a entrada com a língua, mas ela reage: sinto um aperto quando seus dentes cravam no meu lábio inferior.

O gosto metálico do sangue inunda minha boca instantaneamente. Para qualquer outro homem, a dor seria um sinal de pare; para mim, é o combustível. Um rosnado vibra na minha garganta enquanto aperto ainda mais sua nuca, o polegar pressionando o ponto sensível sob sua orelha, obrigando-a a ceder.

No momento em que ela abre a boca para um protesto ou um grito, eu invado.

Minha língua entra com uma fome devastadora, explorando cada canto, reivindicando o território. O choque violento percorre minha espinha, rompendo a barreira do meu tálamo como uma marreta atravessando um vidro. Agora, o sabor de cereja dela está misturado ao meu sangue e ao Bourbon. É uma confusão sensorial de luxúria pura e violência.

O movimento é frenético; meus lábios devoram os dela, sugando, mordendo de volta, enquanto sinto o calor da respiração dela vacilar. Minha biologia está em chamas.

Sinto as mãos dela contra o meu peito, empurrando-me com uma força desesperada o que me faz dar dois passos para trás. Quando finalmente interrompo o contato, o fio de saliva e sangue que nos une se parte. Ela está ofegante, os olhos verdes arregalados sob a máscara, os lábios inchados e tingidos pelo vermelho do meu corte.

— Você não pode sair beijando as pessoas assim! — ela exclama com indignação.

Eu dou um passo à frente, encurralando-a novamente. Claro que eu posso. Eu posso qualquer coisa. Seguro o queixo dela com firmeza, puxando seu rosto para o meu.

— Eu acabei de fazer — murmuro contra seus lábios, antes de tomá-los novamente em um beijo ainda mais possessivo.

Desta vez, a reação dela é rápida. Sinto o estalo seco. Minha cabeça vira para o lado com o impacto da mão dela contra o meu rosto.

O galpão poderia ter desabado e eu não teria sentido tanto quanto aquele tapa. A pele do meu rosto arde uma dor real, nítida, maravilhosa. Eu volto a encará-la, um sorriso sombrio surgindo nos meus lábios.

 Ela me fez sentir dor. Ela é perfeita.

— Amor?

A voz de Alessandra corta o momento como uma lâmina de gelo. Olho para trás e vejo minha namorada fantasiada de Noiva Cadáver. Ela olha para a bruxinha com um desprezo que me faz querer expulsá-la daqui agora mesmo.

— Precisamos convencer os acionistas, Killian. Agora. Algumas pessoas do Conselho estão te esperando — Alessandra diz, me puxando pelo braço com uma posse que me irrita.

Eu tento me soltar, meus olhos fixos na bruxinha, que aproveita a distração para descer do balcão e sumir entre a multidão.

— Eu não terminei... — tento dizer, mas Alessandra é implacável, me arrastando para o centro do salão onde os "velhos" do Conselho e acionistas da empresa vigiam cada passo meu.

Sou forçado a apertar mãos, sorrir de forma vazia e ouvir sobre o "sacramento da estabilidade" e datas de casamento. Meus olhos escaneiam a festa freneticamente, procurando o chapéu pontudo, mas agora percebo que há dezenas deles.

Droga. Eu fui beijado, agredido e ressuscitado por uma mulher cujo nome eu ainda não sei.

Ethan finalmente aparece, acompanhado de uma dançarina seminua com belos seios de fora. Alessandra me aperta mais perto e toca meu braço com aquela mão fria. Um toque sem formigamento. Sem arrepio.

Meu tálamo não voltou a funcionar.

Foi ela. Eu preciso daquele toque de novo.

— Vamos embora, Killian — Alessandra sussurra, tentando ser sedutora. — Agora.

Eu a encaro com uma frieza que a faz recuar. Mas sorrio de forma cordial e vazia.

— Vamos sim.

O trajeto até o Morumbi é preenchido pela voz dela falando sobre buffet e vestidos. Eu não processo as palavras. Meus dedos ainda formigam com o fantasma das frutas vermelhas.

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