Comprada pelo Alfa Inimigo
Comprada pelo Alfa Inimigo
Por: BNLabaig
Capítulo 1

Música do capítulo: Smells Like Teen Spirit - Ember Trio

Vênus Hart

Eu não sabia o que era aquele lugar.

Só sabia que meu pai me arrastou até lá sem explicação. Horas antes, ele jogou uma túnica estranha em meu rosto e me obrigou a me trocar na frente dele e de seus lobos. Me vigiando para ter certeza de que eu faria exatamente o que ele queria.

Depois disso apenas me enfiou no carro e parou na frente daquele lugar que mais parecia um... como eu poderia dizer.... um matadouro.

A sala era grande, mal iluminada, cheia de homens que eu não reconhecia. Alfas, pela aura que dominava o lugar. Pela forma como os rosnados se sobrepunham uns aos outros. Principalmente quando algo parecia excitá-los.

Minha loba se encolheu antes que eu entendesse o motivo.

"Papai." Segurei o braço dele antes que ele me empurrasse para frente. "O que é esse lugar? Por que me trouxe aqui? O que está acontecendo?"

Ele não respondeu. Só soltou meu braço com um movimento brusco.

"Fique quieta."

Olhei por cima do ombro tentando localizar uma saída. Tudo em mim gritava que eu precisava fugir, mas para onde? Ali parecia ser uma verdadeira prisão.

Não havia saída. E isso começou a me desesperar.

O homem no centro do salão bateu uma vez com o martelo na bancada e as conversas morreram.

"Próximo lote, senhores." A voz era casual, como quem anuncia um objeto barato. "Loba da Alcateia Hart. Vinte e três anos, saudável e virgem."

O estômago virou.

"Lote?" A palavra saiu em um sussurro. Olhei para meu pai com o coração disparado. "Papai, o que o senhor está fazendo?"

Ele não olhou para mim.

"Alfa Hart." O homem do martelo acenou na direção dele. "O senhor tem algo a declarar sobre a mercadoria antes de abrirmos os lances?"

Mercadoria. Eu era a mercadoria.

Meu pai se virou para mim, e o que vi nos olhos dele não era vergonha. Era alívio. O alívio de quem finalmente vai se livrar de um peso que carregou tempo demais.

"Finalmente." Disse baixo, só para mim. "Sua mãe morreu e eu vou poder me vingar da vergonha que ela me fez passar."

"Vergonha? Papai..." As lágrimas vieram antes que eu pudesse segurar. "Eu sou sua filha!"

O riso que saiu dele foi curto e sem humor.

"Não." Falou com uma clareza que me cortou de cima a baixo. "Você nunca foi."

O salão inteiro ouviu.

"Pai... o senhor não está pensando direito..."

"Sua mãe me traiu com outro lobo enquanto eu estava viajando. Matei o seu verdadeiro pai e a arrastei de volta, fazendo a vida dela ser miserável." Ajeitou o paletó como se estivesse descrevendo o tempo lá fora. "Criei você apenas para um dia te vender aqui. Queria que a praga não a tivesse levado para ela ver a filha preciosa dela sendo vendida para um alfa que a trate como você merece."

O silêncio no salão durou dois segundos.

"Ela nunca fez isso... o senhor não pode falar isso sobre ela!" o tapa estalou forte em meu rosto, e pousei minha mão no local.

Ele se aproximou sem aviso e fechou os dedos na túnica, puxando com uma força que não deixou espaço para reação. O tecido cedeu de uma vez , rasgando do ombro até a cintura, abrindo em pedaços que caíram ao chão sem cerimônia.

O silêncio que tomou a sala foi diferente do anterior.

Fiquei parada com os ombros completamente expostos, a pele clara contrastando com as marcas vermelhas das agressões dentro do carro até ali. O tecido que sobrou mal cobria os seios, e as pernas, nuas até a coxa, ficaram à mostra para cada olhar naquele salão.

Tentei juntar os pedaços do que restava do tecido, mas era impossível, não tinha como esconder tudo.

Um murmúrio percorreu a sala. Não era de desconforto. Era de interesse.

Ergui o queixo porque era a única coisa que ainda podia fazer. Não ia deixar que me vissem encolher. Mas senti cada olhar como uma queimadura na pele.

"Por que está fazendo isso?"falei novamente, as lágrimas escorrendo ainda mais. "Eu sempre fui uma boa filha, sempre fiz tudo que me pediu." eu precisava que ele se lembrasse disso. Mas ele apenas riu.

"Nunca mais me chame de pai." Virou as costas enquanto um lobo prendia minhas mãos numa corrente chumbada no chão.

Puxei com força e então ouvi as vozes dos lobos ao redor, rindo e se deliciando com a minha desgraça. Levantei os olhos a procura de alguém que pudesse me ajudar e então eu vi o Dante.

Sentado na segunda fila. O lobo que um dia me jurou amor. Que jurou me fazer sua Luna, estava na plateia assistindo de camarote.

E se não fosse o bastante, Emília, minha irmã,  estava no colo dele, com a mão no peito dele, exibindo um enorme anel de diamantes.

Nossos olhos se encontraram.

"Dante." A palavra saiu como um sopro. "Por quê Me ajude..."

Ele desviou o olhar como se eu nunca tivesse feito parte da vida dele.

Emília sorriu e puxou o queixo dele, dando um beijo demorado nos lábios dele. Fechei os olhos com força. Por que tudo estava desmoronando?

O martelo bateu com força e me assustei.

"Abrimos os lances. Começamos com 10 mil dólares?"

"Eu ainda sou a filha do Alfa Hart!" A voz saiu antes que eu pudesse segurar, desesperada, olhando para os guardas, para o leiloeiro, para qualquer rosto que me olhasse de volta. "Papai, por favor! Manda eles pararem! Você não pode fazer isso comigo!"

Ninguém se moveu, apenas as vozes voltaram ainda mais altas e nojentas.

"Olha só essa carinha de choro..." Um alfa no fundo falou alto, sem se preocupar em ser discreto. "Será que vale a pena gastar uns dólares para levar essa bonequinha pra minha cama?"

OS lobos ao lado dele riram e ele deu um lance ridículo.

"Gostosa demais." Outro. "Quero ver se ela grita tão alto quanto chora." E ele ofereceu um pouco mais que o outro.

Mais risadas. Mais vozes. Crescendo, se sobrepondo, preenchendo cada canto da sala como se eu não estivesse ouvindo. Como se eu não estivesse ali.

"Não importa de quem ela é filha." Uma terceira voz, mais perto. "Hoje ela é só um pedaço de prazer pra quem pagar mais. Dou 60 mil dólares."

"Quem dá mais...?" 

Tentei me mover. Tentei dar um passo para qualquer direção. A corrente não deixou e as pernas não obedeceram, e a visão foi ficando turva enquanto os lances eram dados. Baixos, ridiculamente baixos, como se a vida de alguém valesse tão pouco assim.

Desmoronei no chão. Fechei os olhos e rezei para a única pessoa que me amou de verdade.

Mamãe. O que eu faço? Por que ele está fazendo isso comigo?

Sem pensar, levei as mãos ao pingente e o fechei na palma. A pedra aqueceu imediatamente, um calor que subia pelos dedos, pelo pulso, pelo peito, diferente de qualquer coisa que eu tinha sentido antes. Como se ela estivesse respondendo.

Abri os olhos devagar.

A pedra escura pulsava com uma luz fraca entre os meus dedos. Quase imperceptível. Mas era real.

Não entendi o que estava acontecendo.

Só fechei a mão com mais força e segurei.

"Alguém dá mais que sessenta mil?" O leiloeiro repetiu, entediado.

O silêncio durou três segundos.

"Dez milhões."  Todos se viraram para encontrar a origem da voz. O burburinho na plateia começou a aumentar, 

"Quem é? Quem tem tanta coragem de dar tanto dinheiro assim?" 

"Não faço ideia... nunca o vi antes. Será que é o líder de alguma alcateia?"

E eu não conseguia enchergar quem estava na parte escura do salão.

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