Mundo de ficçãoIniciar sessãoVênus Hart
Ninguém respondeu.
O homem do martelo demorou um segundo a mais para retomar, mas retomou.
"Alguém falou: Dez milhões?"
Meu pai pareceu se interessar e voltou para perto de onde eu estava, para ver com mais clareza quem tinha feito o lance.
"Eu dei dez milhões pela garota." Um lobo alto, com uma cicatriz reta no olho esquerdo, começou a abrir caminho entre os alfas ali presentes.
"O senhor quer dar dez milhões pela garota? Tem certeza?" Meus olhos se arregalaram de horror. Não só pelo valor, mas porque era algo muito além do que qualquer um ali estava considerando.
"Quem é você? De qual região você veio Alfa?" meu pai questionou desconfiado.
"Você não está à altura de saber, Hart. Vai negar dez milhões de dólares por não saber de onde eu venho?" o lobo parou no meio do salão sustentando o olhar do meu pai.
"Encerre logo isso." Meu pai falou ríspido com o leiloeiro e olhei novamente para o homem em súplica.
"Bata logo esse martelo, e me entregue minha compra." A voz dele era baixa, mas fazia os pelos do meu corpo todo arrepiar. Ninguém parecia querer ficar perto dele.
"Dez milhões. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três." O martelo bateu. "Vendida." Soltei o ar com força, enquanto meu corpo inteiro amolecia.
Eu não sabia o que era pior, ser vendida, ou ser vendida por 10 milhões para um lobo que tinha cara de assassino.
"Venha pegar sua compra." O leiloeiro falou, mais animado agora.
Os passos dele voltaram a ecoar no salão. Eu sabia que não tinha como fugir, e a cada passo mais próximo, mais incerta sobre o meu destino eu ficava.
Ele parou diante de mim. Os olhos escuros me olhavam de cima com uma expressão que não era pena, não era triunfo. Era certeza. Certeza de que sabia exatamente o que fazer comigo.
Como se aquele momento já tivesse sido decidido muito antes de hoje.
Seus olhos desceram por um segundo, rápido, quase imperceptível, até o pingente no meu pescoço. Algo passou pelo rosto dele que eu não soube nomear.
Depois olhou de volta para mim.
"Soltem-na." O homem que ajudava o leiloeiro, soltou a corrente do suporte preso no chão e entregou a ponta para o lobo à minha frente. Ele deu uma olhada de lado, e sorriu de uma forma estranha, mas segurou mesmo assim.
"O senhor vai acertar de que forma?" O leiloeiro falou e ele pediu a conta bancária, fazendo uma transferência na frente de todos.
"Mas alguma coisa ou já posso levar o que é meu."
Abaixei os olhos, envergonhada da situação, e então senti uma mão segurar meu braço. Ergui os olhos e Dante estava ali, me olhando de forma diferente.
"Dez milhões não é muito para uma filha bastarda?" Ele questionou o homem que me comprou, que voltou e parou na frente dele, fazendo ele me soltar.
"É um preço justo para o que eu pretendo fazer." Minha loba chorou dentro de mim. A nossa ruína estava mais do que sentenciada.
"Te dou dois milhões pela virgindade dela, o que acha?" Fiquei em choque com o que ele disse, mas isso durou pouco.
"SEU MALDITO FILHO DA PUTA!" Gritei saindo de trás do homem, e avançando contra Dante, mas nem cheguei a me aproximar. Os braços fortes do lobo me seguraram, e ele me colou contra seu peito, mantendo uma mão em meu pescoço e outra em meu quadril.
"Uma bela loba, não é? Se queria tanto a primeira vez dela, deveria ter tirado mais dinheiro do bolso." O nariz dele roçou a lateral do meu pescoço e vi os olhos de Dante se estreitarem.
Aquilo era ciúmes? Não, impossível, não depois de tudo que ele tinha presenciado hoje.
"Como eu disse, dez milhões é muito por ela. Te dou dois milhões e te devolvo amanhã. O que acha?" Minha loba rosnou alto, destruída por dentro, mas não conseguia se mexer. O lobo era muito forte.
"Acho que vou passar. Não comprei uma virgem para deixar outro lobo usar. Não sou um cafetão. Acho que vai ter que se arranjar com essa aí ao seu lado." A mão dele em meu quadril me apertou novamente e senti algo diferente.
Agora seus dentes procuravam o local exato da marca, como se ele quisesse me...
Seus dentes se enterraram em minha pele e gritei, sentindo o frenesi invadir meu corpo. Meu pescoço tombou para trás, apoiando-se no ombro dele, e seus dedos apertaram um pouco mais o meu pescoço.
Não entendia o que tinha acabado de acontecer. Só sabia que algo dentro de mim parou de lutar e isso me assustou mais do que tudo que veio antes.
"Ela é minha, projeto de alfa. Fique fora do meu caminho se não quiser conhecer a Deusa antes da hora."







