HELEN
A porta do restaurante se fechou atrás de Dante, e o som ecoou na sala vazia como o tiro de uma sentença. Fiquei parada. Ainda sentada, as mãos geladas sobre a toalha de linho manchada de vinho e sal. O ar ainda cheirava a comida cara e a fúria barata.
Ele foi embora.
Ele foi embora com ela.
A imagem queimava atrás dos meus olhos: a postura ereta de Dante ao defender aquela mulher. A frieza na voz dele quando disse que ela ficaria. O olhar que trocaram antes dela sair – um olhar carregado de algo que eu, em onze anos de casamento, nunca recebi. Reconhecimento. Respeito. Aliança.
Um soluço quente subiu pela minha garganta, mas eu o engoli com força. Não aqui. Não na frente dela.
Valéria estava imóvel do outro lado da mesa, o rosto uma máscara de mármore rachado. O choque da humilhação pública ainda vibrava nela, mas eu podia ver as engrenagens já girando novamente por trás dos olhos azuis-gelo. Ela não estava quebrada. Estava recalculando.
Minhas pernas pareciam de chumbo quando