Os dias depois do enterro foram feitos de silêncio.
Não o silêncio vazio de antes, mas um silêncio cheio. Cheio de lembranças. Cheio de ausências. Cheio de um peso que não sabíamos como carregar.
Minha mãe passava as manhãs na varanda, tricotando, os olhos perdidos no horizonte. A vovó rezava o terço, os dedos percorrendo as contas de madeira com uma cadência que se tornou o relógio da casa. Marcy e André vinham todos os dias, traziam comida, traziam flores, traziam presença. Eva perguntava pel