O monitor apitou.
Um som agudo, contínuo, que perfurou o silêncio do corredor como uma faca.
Eu estava na sala de espera, sentada entre minha mãe e Dante. A vovó rezava baixinho. Marcy segurava a mão de André. O café esfriava em copos de plástico sobre a mesa de centro. Ninguém bebia. Ninguém comia. Ninguém vivia desde que entramos naquele hospital.
O som veio.
E todos nós sabemos.
O médico apareceu na porta. O jaleco branco, o rosto cansado, os olhos que já viram morte demais.
— Ele se foi. —