DANTE
O hospital está iluminado, mas eu não entro.
Estou parado no estacionamento, o envelope da carta no bolso. O papel amarelado queima contra meu peito. As luzes do prédio brilham indiferentes. Dentro, Elara está com os pais. Dentro, há vida, esperança, recomeço.
Aqui fora, só eu e o passado.
Pego o envelope. Meus dedos tremem. Não de frio. De algo que não sinto há dez anos.
Medo.
O nome dela está na frente, escrito à mão. A letra que eu conhecia. Que eu amei. Que eu achei que enterrei junto