Líria acordou com a sensação errada de estar inteira.
Não houve dor imediata. Nenhum peso no peito. Nenhum rasgo no corpo. Apenas um vazio estranho — o tipo de vazio que não vem da falta, mas do excesso de algo que já não estava mais ali.
O teto acima dela era conhecido demais.
Madeira escura, uma rachadura fina perto da viga central, uma teia antiga no canto esquerdo que Líria insistia em limpar a cada mudança de estação e sempre desistia no meio do caminho. O cheiro também era o mesmo: erv