Dois dias depois do jantar em que Rafael enfrentou Vittoria, a rotina de Valentina podia ser resumida em quatro verbos:
Comer.
Ler.
Pensar.
Resistir.
O quarto tinha virado mundo.
Ela acordava, tomava banho, prendia o cabelo num coque simples, escolhia qualquer camisola confortável, comia o que chegava na bandeja e mergulhava em livros, notícias jurídicas, decisões internacionais, qualquer coisa que mantivesse o cérebro funcionando.
Era uma prisioneira. Mas uma prisioneira com disciplina.
Na escrivaninha, o calendário já tinha mais um X marcado.
Mais um dia a menos. Mais perto do fim do contrato. Mais longe de qualquer tipo de paz.
“Cinco milhões.”
O número ainda batia no fundo da cabeça, silencioso, constante.
Ela fechou a aba do site financeiro no celular, jogou o aparelho de lado e recostou na cabeceira.
Não adiantava fazer contas. Tudo levava ao mesmo lugar:
Se pedisse dinheiro a Rafael…
perdia o pouco de liberdade que ainda podia sonhar em ter.
Estava perdida nesses pensamentos qu