O escritório era um campo de batalha silencioso.
Vittoria estava sentada atrás da mesa, imóvel, elegante, perigosa.
Os olhos dela — frios como lâminas polidas — acompanharam Valentina caminhando até o centro do cômodo.
— Bom dia, senhora Montenegro. A senhora queria me ver. — Valentina disse, tentando manter firmeza na voz.
Vittoria não respondeu.
Levantou-se devagar.
Cada centímetro de movimento impregnado de desprezo.
Valentina não entendeu o que aconteceria até o exato segundo em que aconteceu.
O tapa veio rápido.
Seco.
Cruel.
O estalo atravessou o escritório.
A cabeça de Valentina virou para o lado, a pele queimando, latejando, ardendo.
Por um instante, ela só sentiu o chão fugir sob os pés.
Valentina levou a mão ao rosto — surpresa, dor, incredulidade — e encarou Vittoria.
— P-por quê…?
Vittoria não respondeu.
Apenas voltou para a mesa, pegou o jornal, e jogou-o aos pés de Valentina.
A manchete era cruel:
“ESCÂNDALO NA NOITE PAULISTANA:
ESPOSA DE RAFAEL MONTENEGRO EMBRIAGADA EM S