Rafael saiu do escritório depois das vinte e duas horas.
Não houve despedidas longas, nem explicações. Apenas fechou a pasta, ignorou os relatórios que ainda piscavam na tela do computador e pegou o casaco com um gesto seco. Moreira percebeu — sempre percebia —, mas não perguntou nada.
— Não precisa do carro, senhor? — arriscou.
— Não. — respondeu Rafael. — Vou encontrar o Lucas.
Era tudo.
O clube estava cheio o suficiente para parecer vivo, mas silencioso o bastante para não incomodar homens que queriam beber sem serem notados. Luz baixa, madeira escura, garçons que sabiam quando falar e, principalmente, quando não falar.
Lucas já estava lá.
Sentado no mesmo lugar de sempre, copo na mão, rindo de alguma coisa no celular. Levantou o olhar quando sentiu a presença antes mesmo de vê-la.
— Olha só… — disse, abrindo um sorriso torto. — Quem desceu do Olimpo.
Rafael puxou a cadeira e sentou sem responder. Tirou o casaco, jogou no encosto e fez um gesto curto para o garçom.
— Uísque. — diss