CAPÍTULO 96 — ENTRE RISOS E SOMBRA.
Bianca chegou sem cerimônia. Nenhum aviso prévio, nenhuma ligação dramática. Apenas apareceu no fim do corredor com uma bolsa grande demais para um simples passeio e um sorriso afiado demais para um ambiente tão controlado quanto a casa Montenegro.
— Se essa casa começar a ranger, chiar ou sussurrar latim, já aviso: eu trouxe água benta. — disse, erguendo a bolsa. — E, por via das dúvidas, uma estaca. Nunca se sabe de onde a Vittória pode sair.
Valentina, que vinha descendo devagar os degraus da escada, parou por um segundo.
Depois riu.
Um riso curto no começo, quase inseguro. Mas que cresceu. Que ganhou som. Que saiu do peito como se estivesse preso ali havia dias.
— Bianca… — murmurou, balançando a cabeça. — Você não tem jeito.
— Tenho sim. — Bianca respondeu, abraçando-a com cuidado, sem apertar demais. — Jeito de sobreviver a sogras demoníacas e casas com cheiro de naftalina.
Valentina respirou fundo ao sentir o abraço. Não era proteção. Era reconhecimento. Bianca não tentava salv