Valentina estava sentada na sala lateral, próxima às janelas altas, com uma xícara de chá entre as mãos. O vapor subia lento, quase imóvel. O corpo ainda carregava o cansaço dos dias recentes, mas ali havia luz suficiente para não parecer claustrofóbico.
Ela observava o jardim quando ouviu passos.
Não passos anunciados. Não passos cuidadosos.
Passos que pertenciam à casa.
— Prima.
A voz veio antes da presença completa.
Valentina virou o rosto devagar.
Enzo estava parado a poucos metros, o paletó escuro aberto, expressão tranquila demais para alguém que entrava sem aviso. Não parecia culpado. Nem defensivo. Apenas… presente.
Por um segundo, ela se surpreendeu.
Depois sorriu.
— Enzo…
Ele se aproximou com calma. Não abriu os braços. Não tentou tocá-la. Parou a uma distância respeitosa, como se soubesse que aquele corpo ainda precisava de espaço.
— Vejo que está melhor. — disse, sincero. — Pelo menos… mais inteira.
Valentina respirou fundo antes de responder.
— Estou tentando. — disse. —