Na casa de Isabella Moretti tudo era impecável: flores recém-trocadas, cortinas abertas na medida exata, o aroma leve de chá branco no ar. Isabella caminhava de um lado para o outro na sala quando ouviu o som da porta.
Endireitou a postura no mesmo instante.
Vittória entrou sem pressa.
Vestia tons claros, joias discretas, o mesmo ar de quem nunca se apressa porque acredita — com razão — que o mundo espera. O olhar percorreu o ambiente como quem já conhece cada detalhe, mesmo sem frequentar a casa com regularidade.
— Isabella, minha querida…
A voz saiu macia. Ensaiada para soar afetuosa.
Isabella virou-se rápido demais.
— Sogra…
Vittória abriu os braços e a envolveu num abraço curto, firme, calculado. Não havia carinho ali — havia posse simbólica.
— Soube que você anda muito abalada — disse, afastando-se apenas o suficiente para observá-la melhor. — E imaginei que não seria elegante da minha parte aparecer sem avisar… mas há momentos em que a família vem antes do protocolo.
Isabella se