Valentina acordou antes do sol. Não porque dormira bem — mas porque o corpo não aceitava mais descansar. Havia um cansaço diferente agora. Não o físico. Era como se a mente estivesse em alerta permanente, esperando o próximo impacto.
Ela piscou devagar.
O teto branco não a assustou daquela vez. Reconheceu o quarto. Reconheceu o cheiro. Reconheceu o bip distante do monitor. Isso ajudou… um pouco.
Bianca estava ali.
Sentada na cadeira ao lado da cama, os braços cruzados, a cabeça levemente inclinada para trás. Dormia mal, daquele jeito que não é descanso, só vigília com os olhos fechados.
Valentina observou a amiga por alguns segundos.
Sentiu algo apertar no peito.
— Bi… — chamou, baixo.
Bianca despertou na mesma hora, como se nunca tivesse dormido de verdade.
— Oi. — respondeu imediatamente, levantando-se. — Como você tá?
Valentina demorou a responder.
Não sabia exatamente.
— Cansada. — disse, por fim.
Bianca assentiu, compreendendo mais do que perguntava.
— O médico vem hoje cedo. —