Valentina entrou no quarto devagar.
Cinco dias.
Cinco dias fora daquele espaço que agora parecia estranho e familiar ao mesmo tempo. A porta se fechou atrás dela com um som baixo, e o silêncio que veio não era de paz — era de reconhecimento.
Tudo estava do mesmo jeito.
A cama perfeitamente arrumada.
A cortina clara filtrando a luz da manhã.
A bolsa largada sobre a poltrona, exatamente onde ela tinha deixado antes de sair para a universidade no dia em que tudo aconteceu.
Como se o tempo tivesse congelado ali.
— Lar, doce lar… — Bianca murmurou ao lado dela, tentando aliviar.
Valentina respirou fundo.
O cheiro do quarto não tinha mudado. Era o mesmo perfume neutro, a mesma sensação de controle excessivo que aquela casa sempre teve. O corpo reagiu antes da mente: os ombros enrijeceram, o estômago apertou.
Ela deu dois passos para dentro.
— Parece que eu só… — começou, mas não terminou.
— Saiu para uma aula e demorou um pouco pra voltar. — Bianca completou, com su